PARQUES ELEVADOS: UMA SOLUÇÃO URBANA?
Soluções para estruturas urbanas indesejadas causam sempre polêmicas - em São Paulo, um bom exemplo foi o concurso para a revitalização do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, realizado em 2006.
O projeto vencedor, de Juliana Corradini e José Alves (Frentes Arquitetura), previa a construção de um parque elevado sobre as pistas, que seriam "encaixotadas" com uma estrutura metálica e receberiam tratamento acústico e ventilação especial.
Construído nos anos 90, o parque Promenade Plantée, em Paris, transformou um elevado ferroviário de cerca de 4,9 km em uma passarela para pedestres. Agora é a vez de Nova York: a construção de um parque elevado foi a proposta adotada no High Line, atualmente em construção no oeste de Manhattan, em Nova York - a primeira fase deve ser entregue no fim de 2008. O projeto, assinado pela Field Operations e pelo escritório Diller Scofidio + Renfro, prevê a construção de um parque público com áreas verdes, deques e parque infantil sobre um antigo elevado férreo de 2,5 km que passa entre alguns prédios ao longo de 22 quarteirões. Construída entre 1929 e 1934, a ferrovia perdeu a utilidade com o desenvolvimento das estradas interestaduais que cortam os Estados Unidos, sendo desativada em 1980. O elevado foi tomado pelo mato nos últimos anos - uma espécie de "prévia desorganizada" do visual que deve ocupá-lo em breve.
A iniciativa de revitalizar o elevado ganhou força com a Associação Amigos da High Line (Friends of the High Line), uma organização não-governamental fundada em 1999. O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giulianni, chegou a autorizar a implosão da estrutura, mas com forte apoio da população a associação conseguiu reverter a situação. Após o concurso para escolha do projeto, em 2003, a prefeitura da cidade reservou 50 milhões de dólares para estabelecer o parque - hoje, o orçamento é de 170 milhões de dólares, montante obtido com os governos federal e municipal, além de doações privadas.
Para Juliana Corradini, uma das autoras do projeto para São Paulo, estruturas elevadas em desuso têm um potencial muito grande de transformação. "A idéia é transformar uma via em algo inédito para a cidade. É utilizar o potencial de transformação e pensar em outro aproveitamento para a estrutura", completa.
Há também quem aposte no desmonte - ainda que seja uma solução mais cara e complexa. O Escritório Experimental do Mackenzie, por exemplo, elaborou na época do concurso para o Minhocão uma proposta para o desmonte do viaduto (AU 156). "Propusemos o desmonte pelo fato de estar em uma área central histórica e porque ele degrada brutalmente seu entorno", afirma a professora Anne Marie Sumner, coordenadora do projeto.
Para Anne Marie, os parques elevados são uma solução paliativa, que não resolvem o problema urbano. "Não acredito em parque elevado, acho que as pessoas andam no chão. A praça e o parque são um ponto de encontro dos cidadãos em todas as direções. Essa ligação multidirecional, de poder acessá-la por todos os lados, é que é a maravilha da praça pública", critica. "A idéia de um parque vertical é uma maquiagem, um paliativo - e paliativo é do que o Brasil não precisa", completa.
Dê sua opinião sobre os parques elevados em des uso no fórum: Qual deve ser a solução para vias elevadas urbanas, já em desuso?
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| Estante Topo |
ARQUITETOS ASSINAM PEÇAS PARA A TOK&STOK
Paulo Mendes da Rocha promete assinar mais um projeto de mobiliário, depois da cadeira Paulistano, de 1957, e deixar seu nome entre os designers da Tok & Stok. O Pritzker faz parte da lista de novos criadores da marca que irá fabricar 30 projetos especiais em comemoração aos seus 30 anos. Além de Paulo Mendes, estão na lista nomes como o de Sergio Rodrigues, Carlos Motta, Guto Lacaz, Marcelo Rosenbaum e Pedro Useche.
Christopher Procter e Fernando Rihl, do estúdio Procter:Rihl, assinam o primeiro dos projetos, já à venda nas lojas da rede. Batizada de Topo, a estante da dupla anglo-brasileira é uma releitura da peça TMU (Topo Modular Unit), desenhada por eles em 1997. Inspirada nos formatos de mapeamentos de relevos geográficos, a nova versão da estante mantém sua modulação, característica que permite seu uso tanto verticalmente, empilhada, quanto horizontalmente.
PALAFITAS SÃO DESTAQUE EM PROPOSTA DE HABITAÇÃO SOCIAL
Tendo as palafitas como partido arquitetônico, a proposta de urbanização das favelas de Manaus apresenta uma releitura dessas construções ao longo da margem do trecho do rio São Raimundo.
"Proponho uma caracterização com as palafitas, mas com um pouco mais de tecnologia", explica o arquiteto Roger Pamponet da Fonseca, autor do projeto, que determina o uso de concreto armado para execução dos pilotis das palafitas. A harmonia entre a cultura regional e a nova paisagem urbana é para o arquiteto a principal vantagem do projeto. "Com a proposta tem-se o orgulho da arquitetura produzida pelo próprio caboclo", avalia.
Único projeto da região Norte do país a ser apresentado no 23o Congresso Internacional de Arquitetura, realizado pela UIA em Turim no início de julho, o Sobrevivendo na Amazônia: uma renovação urbana, como foi batizado, chamou a atenção de alguns órgãos do governo local. "Há a vontade de ter uma casa modelo, para mostrar para a população como solucionar o problema de forma harmônica", afirma Pamponet. A proposta teve boa recepção em Turim, principalmente por atender a uma carência de informações sobre a tipologia arquitetônica brasileira. "Lá fora conhecem só a arquitetura modernista do País, e foi interessante mostrar como são essas moradias", afirma.
IAB-RJ OFERECE SERVIÇO online DE BUSCA DE ARQUITETOS
O IAB-RJ conta, desde junho de 2008, com um serviço no site para a busca de arquitetos do Estado para potenciais clientes. Os arquitetos podem incluir, além dos dados de contato, imagens de projetos realizados. O Busque um arquiteto, como foi batizado, é dirigido aos sócios titulares do departamento. "É um serviço que o instituto precisava prestar. Alguns departamentos do IAB já tinham esse serviço, como São Paulo", conta Oswaldo Nazareth, diretor do departamento de Atividades Culturais e de Atividades Sociais do IAB-RJ. Com o Busque um arquiteto espera-se integrar os profissionais ao instituto. "Quando o CAU for criado, a transição será mais fácil se os arquitetos estiverem mais próximos do IAB", afirma Nazareth. A ferramenta está disponível no link: www.iabrj.org.br/busque.
CASA PRÉ-FABRICADA PRODUZ ENERGIA PELAS PAREDES
As paredes exteriores da Casa Cellophane podem gerar energia, controlar a climatização e prover iluminação natural aos ambientes. Projetada pelo escritório norte-americano KieranTimberlake especialmente para uma exposição no MoMa, em Nova York, a estrutura matriz do projeto pode unir uma vasta gama de materiais disponíveis no mercado, como alumínio, vidro, PET, policarbonato, acrílico e aço - todos com características recicláveis.
O NextGen SmartWrapTM, como foi batizado o material das paredes externas, foi desenvolvido pela própria KieranTimberlake e é composto por uma camada transparente de PET (mesmo material das garrafas de refrigerante) laminada com uma fina camada de células fotovoltaicas.
Assim, a luz do sol penetra pela estrutura transparente ao mesmo tempo em que os painéis fotovoltaicos captam a energia solar - característica que permite o funcionamento da casa independentemente da rede pública. Uma camada interna de 3M e filme bloqueador de raios UV fazem com que a luz do dia também possa ser aproveitada quando está inativa. Há ainda uma cavidade entre as duas camadas que armazena calor durante o inverno, e garante ventilação durante o verão, reduzindo a quantidade de energia necessária para esfriar a casa.
A residência se destaca pelo uso de uma moldura estrutural de alumínio como matriz do projeto, onde os outros elementos pré-fabricados são encaixados e unidos por conexões aparafusadas, em vez de solda ou cola. Dessa forma, a casa torna-se um objeto de fácil modificação - o que presume desmontagem, e não demolição, ao final de sua vida.
Como desenhamos a casa sem ter um lugar, pudemos especular sobre customização em massa", afirma o arquiteto James Timberlake, sócio do escritório. Segundo os arquitetos, o protótipo é uma provocação para pensar o modo como se deve viver e construir em um futuro não tão distante.
As casas pré-fabricadas são tema da Home delivery: Fabricating the modern, exposição que fica no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) até o dia 20 de outubro. Mais informações: www.momahomedelivery.org.
BRASILEIROS VENCEM DESIGNER'S WORKSTATION 2008
O desenvolvimento de uma estação de trabalho adequada às exigências do século 21 foi o tema da competição Designer's Workstation 2008. Promovido pelo The Design Institution, o concurso contou com participantes de mais de 30 países. Na categoria Estudantes, a Mesa Ofício da brasileira Luiza Barroso e do francês Quentin Vaulot conquistou o 1º lugar - posto que já havia conquistado no Prêmio Idea Brasil, categoria estudantes. Já na categoria Profissionais, o 1º prêmio ficou com Ana Eliza Guedelha e Nathalia Favaro, também brasileiras. Na opinião do júri, o projeto da dupla - um galpão de 300 m² que conta com divisórias móveis para garantir flexibilidade - é funcional, clean e atende às necessidades específicas de um estúdio de moda. "Um modo válido de criar um produto para um usuário criativo é mantê-lo o mais neutro possível", declarou o jurado Ralph Bremenkamp, da Frog Design.
Confira os vencedores:
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| 1º prêmio - Ana Eliza Guedelha e Nathalia Favaro (Brasil) |
Categoria profissionais
1º prêmio - Ana Eliza Guedelha e Nathalia Favaro (Brasil)
2º prêmio - Moriette Virginie (França) e Xu Ming (China)
3º prêmio - Keith Evan Green, Ian D. Walker, James Witte, Leo Gugerty e Henrique Houayek (Estados Unidos)
Menções honrosas - Honfay Lui (Cingapura); Davide Magni e Carlo Tartaglia (Itália); Martino Cabassi Mastracchi e Davide Valtorta (Itália); e Mehul Daya (Índia)
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| 1º prêmio - Luiza Barroso (Brasil) e Quentin Vaulot (França) |
Categoria estudantes
1º prêmio - Luiza Barroso (Brasil) e Quentin Vaulot (França)
2º prêmio - George Shackleton, Adam Southern, Ollie Mason (Reino Unido) e Sameer-Andrew Rayyan (Estados Unidos)
3º prêmio - Joseph Kauffman e Phillip Padilla (Estados Unidos)
Menções honrosas - Marise Evans (Estados Unidos); Massimiliano Panfoli e Margherita Bragoni (Itália); e Ahmed Hosny (Egito)