O conceito convencional de uma parede é subvertido em nome da flexibilidade, protagonista neste projeto que prima pela transformação dos espaços. Assinada pelo escritório chileno Owar Arquitectos, responsável também por todo o projeto de interiores, a parede se move e, assim, assume várias funções: separa espaços, armazena documentos e pode criar ambientes mais reservados para reuniões no departamento de contas de uma grande agência de publicidade, a BBDO Chile.
"Juntar a superfície de armazenamento em uma parede móvel foi uma forma de desocupar o espaço e recuperar sua dimensão total, permitindo o ingresso de luz natural em todo o andar", explica Tomás Folch, um dos sócios do Owar, ao lado de Álvaro Benítez e Emilio de la Cerda.
Com o sistema, é possível variar os pontos de acesso e de saída na área de contas, além de transformar o espaço: pode-se optar por ter uma parede completamente permeável desde a circulação principal ou isolar completamente uma área de outra. "Os usuários definem suas próprias configurações segundo necessidades específicas", completa.
Mesmo com base na flexibilidade, o projeto definiu claramente a localização de cada seção no interior do departamento de contas: a zona de trabalho junto à luz e às melhores vistas, e a zona de armazenamento que separa a área de trabalho da área de circulação.
A solução também contempla duas lógicas de trabalho desenvolvidas pelos profissionais do departamento: uma individual, dentro do escritório, e outra de reuniões sistemáticas em áreas menores. "Surgiu a pergunta de como subdividir ocasionalmente um grande espaço, de maneira que as reuniões pudessem se desenvolver em ambientes mais íntimos. Por outro lado, não se buscava isolar completamente a circulação lateral da área de contas - já que é através desta que o corredor obtém luz solar - mas era necessário criar um elemento adaptável a diversas situações", define Folch.
Para desenvolver o projeto - que desde a concepção até a instalação final levou oito meses - os arquitetos concentraram-se em movimentos e operações pontuais. "Considerando a possibilidade de que a área poderia crescer ou diminuir no futuro, trabalhamos sobre um módulo pontual que, em sua repetição, definiria um total", detalha De la Cerda.
Essa operação permitiu que os arquitetos alcançassem níveis completos de desenvolvimento sobre uma peça, reduzindo os custos de fabricação.
Ao mesmo tempo, a peça sob medida exigiu a busca por soluções técnicas que minimizassem os riscos no momento da instalação, o que demandou tempo e a necessidade de provas para definir o layout final.
"A linha longitudinal não apresentava variações, pois é determinada pela estrutura existente do edifício, mas precisávamos estabelecer claramente como a parede poderia adaptar-se a diversos cenários", conta De la Cerda. Foi feito então um protótipo em escala 1:1 do módulo mínimo e de seu sistema de movimentação, e qualquer mudança de projeto foi aplicada a este modelo.
O sistema ocupa 32 m da sala e é composto por 16 módulos fixos e 31 módulos móveis de largura simples, além de quatro módulos fixos de largura dupla que contêm telas e equipamentos para reprodução de vídeo. Com 1,22 m de altura e comprimento longitudinal total de 32 m cada, as paredes móveis são separadas por uma distância de 12 cm.
"Para ordenar os diferentes objetivos, trabalhamos em duas frentes: uma de construção direta no piso dos escritórios - solos, trilhos, iluminação, pintura, demolições - e uma de pré-fabricação, onde foram elaborados, além dos módulos do móvel, os postos de trabalho individuais e as poltronas e mesas para reuniões menores", conta Folch.
Cada módulo possui uma moldura de perfil de aço padrão pintado de preto. É dentro desses elementos que as paredes móveis de armazenamento deslizam, feitas com placas de madeira com acabamento de laminado. O suporte de cada módulo tem um trilho superior de aço (perfil canal de 100 mm x 50 mm x 3 mm), ancorado em vigas de concreto armado, e um trilho inferior de mesmo material preso ao novo piso de porcelanato.
Em direção ao corredor, todas as peças estão ancoradas à viga superior de concreto armado; dependendo da largura de cada trilho, braços telescópicos foram dispostos em seu extremo oposto. Estes braços são adaptáveis, uma vez que se buscava manter as instalações de climatização e eletricidade, que não sofreram intervenção, sob a laje.
Cada trilho determina uma medida entre os módulos, fixando um máximo e um mínimo de movimento. Assim, o desenho segue regras de operação, mas ao mesmo tempo deixa o resultado final aberto às decisões e arbitrariedades que podem surgir com o tempo, necessidades e gostos.
A elaboração de um sistema durável que necessitasse de pouca manutenção foi outra preocupação dos arquitetos. Os mecanismos de deslizamento, por exemplo, foram desenvolvidos especificamente para o projeto, mas com base em peças que podem ser compradas no mercado. Do ponto de vista material, tanto a placa de madeira quanto as molduras de aço são produtos duráveis, e, eventualmente, substituíveis - operação favorecida pela lógica modular do sistema, que permite a substituição de peças, sem que se afete o todo.
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