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Sustentabilidade

Sombra nos trópicos
Por Andressa Fernandes



Fotos Jimena Ugarte
A preservação da área verde no terreno foi determinante para o desenho final dos edifícios da BAT (British American Tobacco, fabricante de cigarros), na província de Heredia, Costa Rica. "A integração do projeto às árvores existentes determinou a planta. Existia desde o início a convicção de que se devia aproveitar os charmosos cedros, por razões ambientais, paisagísticas e arquitetônicas", afirma Bruno Stagno, do escritório costarriquenho Bruno Stagno Arquiteto e Associados, responsável pelo projeto. "Durante a construção, demos instruções para proteger e conservar a área verde. Proibimos até o corte de galhos no espaço sem nossa supervisão", completa.

A iniciativa foi crucial para que se atingisse o objetivo do cliente: a criação de "um ótimo lugar para trabalhar", ou como explica o arquiteto, de um conjunto harmônico que sintonizasse a arquitetura com o lugar de um modo que fosse atraente para captar novos colaboradores e manter os antigos.

"Por se tratar de uma companhia em que é permitido fumar, foi preciso pensar na renovação freqüente do ar", conta Stagno. Para atingir o máximo de refrescamento nos edifícios - encaixados embaixo da sombra dos cedros - as fachadas foram estruturadas com perfis de ferro e com um forro interior de lâminas de gesso e outro exterior de Plycem, uma lâmina de fibra celulósica com adição de cimento de fabricação nacional. Entre as camadas de gesso e Plycem há uma "barreira de vapor", constituída por uma lâmina de polietileno que tem a função de evitar a penetração de umidade no interior da parede. As janelas - que contam com folhas que se abrem para melhorar a ventilação - possuem estrutura de ferro, e os fixadores dos vidros são de perfis delgados de alumínio reciclado.

Para sombrear constantemente as janelas, Stagno apostou na utilização de elementos simples, porém em uma forma não convencional. Feitas de metal esmaltado - mesmo material utilizado normalmente em telhados - as ondulações presentes nas fachadas têm a função de produzir sombra nos vidros e mantê-los frescos. "É um material muito barato e não é sofisticado. A ondulação foi aplicada para dar resistência. A curvatura é a máxima possível sem que haja deformações", explica Stagno.

A inclinação e o distanciamento entre as ondas metálicas foram determinados segundo gráficos de sombras referentes a diferentes horas do dia e em certas datas-chave, como nos dias de solstício e equinócio e às 8 da manhã, meio-dia e 4 da tarde. "Sua posição foi definida para bloquear os raios solares e, também, permitir a vista dos jardins. Além disso, as ondas afastam a água da chuva", diz o arquiteto.

O refrescamento é favorecido pelo fato de os prédios ficarem suspensos sobre o solo - aqui, utilizaram-se estruturas de concreto armado, com lajes pré-fabricadas de concreto. Apenas as fachadas possuem estrutura metálica e vidro. "A proposta foi esconder os automóveis e isolar os edifícios do solo, liberando também uma área verde necessária para o microclima do entorno. Além disso, o ar que passa pelo estacionamento ajuda muito na ventilação, porque assim o edifício fica totalmente envolto pela brisa", explica Stagno.

A cobertura dos prédios foi pensada de forma a refrescar sua estrutura, e é composta por uma combinação de ferro esmaltado com acabamento de três polegadas de fibra de vidro e um forro de lâminas de gesso. A fatia de fibra de vidro é revestida com papel aluminizado, que reflete o calor em mais de 80%.

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