PLANEJAMENTO PARA A COPA DE 2014 JÁ ESTÁ ATRASADO
Em março de 2009, se a bola for mesmo nossa, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) escolherá quais cidades e estádios brasileiros poderão receber os jogos da Copa de 2014, e também quais abrigarão as cerimônias de abertura e encerramento do evento. Das 18 cidades que se candidataram ao posto, cinco se destacam das demais: Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.
No entanto, mesmo as capitais mais aptas possuem sérios problemas de infra-estrutura urbana, e seus estádios não se encontram nas melhores condições. Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia), há um atraso: "Falta cultura de planejamento. À medida que o tempo passa, são desperdiçadas oportunidades para pensar, elaborar projetos e identificar os desafios", afirma. "Já perdemos um ano: nada de consistente foi feito em 2008, além de discussões a respeito das arenas multiuso e da nossa infra-estrutura, que é insuficiente para atender a um evento desse porte", avalia.
Os principais problemas estão na acessibilidade (portos, rodovias, aeroportos) e em setores como telecomunicações, turismo e energia. "Os aeroportos de São Paulo já operam no limite mesmo sem a Copa do Mundo; há problemas de instalações físicas, de sistema de controle e segurança de vôo, pessoal, equipamentos", enumera Bernasconi.
De acordo com o Sinaenco, para que a capital paulista possa sediar os jogos, serão necessárias quatro obras: a ampliação de Viracopos ou a criação de um novo aeroporto dentro da cidade; a restauração do estádio do Morumbi e a criação de uma avenida perimetral que ligue a Ponte João Dias, no bairro de Santo Amaro, até a Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio; e a conclusão da linha 4 - amarela do metrô. Desses projetos apenas a reforma do Morumbi, por Ruy Ohtake, e a nova linha do metrô, prevista para ser entregue em 2012, já estão em andamento.
"Hoje, nenhum estádio atende às exigências da Fifa; alguns precisam de adaptações, outros, nem assim", diz Bernasconi. As reformas dos estádios devem ser concluídas até 2013, quando acontece a Copa das Confederações. Dos cinco principais estádios cotados no Brasil, quatro já possuem um projeto definido.
Para Bernasconi, é preciso ficar atento para não repetir os mesmos erros de planejamento cometidos nos jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.
"O orçamento foi de mais de três bilhões de reais, quando eram previstos 430 milhões, e o Engenhão foi arrendado para o Botafogo por 30 mil reais por mês, além de estar em uma área deteriorada, sem nenhuma melhora de acesso, transporte, ou saneamento", afirma. "O evento foi uma chance perdida de 'passar a cidade a limpo'", lamenta.
Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão) - Belo Horizonte/MG
Projeto arquitetônico: a definir
Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) - São Paulo/SP
Projeto arquitetônico: Ruy Ohtake
Estádio Mané Garrincha - Brasília/DF
Projeto arquitetônico: Eduardo de Castro Mello
Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã) - Rio de Janeiro/RJ
Projeto arquitetônico: Artetec e Random Arquitetura
Estádio José Pinheiro Borda (Beira Rio) - Porto Alegre/RS
Projeto arquitetônico: Hype Studio
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