Um SPA tecnológico
Na virada do século, a insegurança nas grandes cidades e a consciência de que os recursos naturais devem ser preservados mudam o hábito das pessoas. Ao mesmo tempo em que se torna um verdadeiro SPA particular, o banheiro precisa estar equipado com louças e metais cujo design, além de beleza, deve garantir economia de água e de energia.
Finalmente, a indústria do setor conclui que o grande vilão do consumo não é a descarga mas, sim, o sifão. Mais compactos e em modelos dos mais variados, apoiados ou suspensos, os vasos sanitários apresentam sifonagem de seis litros e volta de vez a caixa acoplada. O duplo acionamento de três litros para meia-descarga e seis litros para completa é cada vez mais comum. Nesse princípio de século aparecem as torneiras com temporizadores para uso público com fechamento mecânico ou eletrônico, e os restritores de vazão.
Os lavatórios em vários formatos remetem às velhas bacias de água usadas para o banho. A cerâmica continua em voga e agora para permitir desenhos retilíneos é feita em fire clay. Também ganha acabamentos diferenciados, como a superfície fosca, e materiais que antes não figuravam nesses produtos, como a madeira, o vidro, o metal passam a ser empregados, assim como novas opções, caso do Corian, resina produzida pela Dupont. Destacadas do tampo, as pias são complementadas por metais geometrizados e futuristas que despejam a água de forma escultural como nos antigos jarros.
Design do futuro
"O desenho contemporâneo é híbrido. Mistura partes geométricas e rigorosas com partes orgânicas", diz Leonardo Maggiavacchi, do IED. Ou seja, formas inusitadas e surpreendentes estão em alta. Mas a tendência, segundo Milleo, aponta para a saúde. Estão chegando os materiais antibactericidas e o branco predomina de vez. "Fabricantes já disponibilizam bacias com assento aquecido e ducha integrada e chuveiros com diversas formas de jatos", enfatiza a engenheira Lúcia Helena de Oliveira, professora do Departamento de Engenharia da Construção Civil da Escola Politécnica. A tecnologia será incorporada de vez aos equipamentos de banheiros. Com a onda multimídia, "o chuveiro com iPod chegará em breve", aposta Milleo.
Para a designer espanhola radicada no Brasil Juana Oller, "o banheiro evoluiu com os costumes sociais". Com a economia estabilizada, o boom imobiliário e os condomínios de luxo, os metais são tratados como jóias, recebendo banho de ouro e incrustação de pedras semipreciosas. O próximo passo é se desdobrar em um ambiente voltado para relaxamento e cuidado com o corpo.
| Linha do tempo - louças e metais sanitários |
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1940 A maioria dos metais e louças eram importados. O design era focado na técnica da peça. O sifão da bacia sanitária ficava à mostra e já havia dois sistemas de descarga: a caixa e a válvula.
1950 As primeiras torneiras tinham recursos básicos de abrir e fechar o fluxo de água, mas já existiam os misturadores com dois volantes e apareciam as louças em cores fortes.
1960 Influência do movimento hippie leva fabricantes a criarem estampas florais nas peças sanitárias. Em 1968, o arquiteto sueco Arne Jacobsen cria a torneira Vola, que revoluciona o design dos metais.
1970 Surge o PVC como opção para as tubulações de ferro e cobre. É lançada a primeira válvula com controle de tempo para evitar o golpe de aríete.
1980 Misturadores de lavatórios e bidês começam a utilizar cartuchos cerâmicos no sistema de vedação. Para controle do aquecimento da água - e para proporcionar economia -, o mercado disponibiliza os primeiros termostatos e torneiras com fechamento automático.
1990 O arquiteto e designer Philippe Starck desenvolve a linha de metais e louças Axor e muda o conceito de banheiro. Chegam os primeiros monocomandos e as bicas altas. Em 1995, a Escola Politécnica da USP lança o Programa do Uso Racional da Água (Pura). Em 1997, é lançado o Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água (PNCDA), e em 1998, é instituído o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-h), que lança o Sistema de Qualificação dos Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos (Simac), visando à conformidade dos produtos às normas. Com essas medidas, os produtos economizadores entram de vez no mercado.
2000 Aparece a primeira torneira eletrônica no Brasil, com acionamento por meio de sensor de alta tecnologia, ideal para lugares públicos ou que privilegiam higiene, segurança e economia. Em nome da redução ao desperdício de água, as bacias agora vêm de fábrica com sifonagem de seis litros e alguns modelos têm acionamento duplo, de três e seis litros. O plástico ABS aditivado passa a ser usado na fabricação de torneiras, com a vantagem de não apresentar limo, nem precisar de acabamentos.
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