Integrar uma estrutura de 3 mil m² à paisagem de vales e ruínas arquitetônicas na bacia leste da Baía de Guanabara é o principal trunfo deste projeto, vencedor do concurso público nacional de anteprojeto para o Centro de Informações (CI) do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), a ser construído pela Petrobras em Itaboraí, RJ. De autoria dos arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, do escritório Andrade Morettin Arquitetos, o projeto aposta em uma estrutura leve - um pavilhão que pousa delicadamente sobre o terreno - associada a recursos sustentáveis como aproveitamento de água da chuva e utilização de iluminação e ventilação naturais. "A sustentabilidade permeia todo o processo do projeto, desde criação até desenvolvimento. Trata-se de uma área muito grande localizada em um sítio arqueológico e arquitetônico com ruínas. Nesse contexto, a primeira decisão é pensar como inserir um objeto novo provocando o mínimo impacto possível", conta Vinicius Andrade.
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A implantação do edifício, o projeto das praças e jardins e a escolha dos materiais foram feitos não só para atender às necessidades do CI, que é a porta de entrada do empreendimento, como também para revelar os traços mais característicos da paisagem do lugar. "O volume é o resultado da combinação de muitos fatores. Tinha uma relação importante com a paisagem e as colinas e o edifício se posiciona muito claramente quanto a isso. A partir daí começamos a trabalhar no desenho do prédio para que ele tivesse o melhor desempenho na posição determinada pelos ventos predominantes e pela insolação ", afirma Andrade.
De volumetria concisa, o edifício foi colocado na mesma cota de implantação das ruínas do Convento de São Boaventura, configurando um plano que é o resultado da triangulação dos elementos arquitetônicos que se erguem na paisagem. "O edifício é separado das ruínas por um vale e o gabarito do prédio respeita as alturas dessas duas colinas, colocando-se como um terceiro vértice e formando um triângulo virtual", detalha Andrade.
O ajuste da estrutura do prédio à paisagem deve-se ainda à segunda pele de aço inox perfurada que cerca o edifício. Separada 3 m do corpo principal do prédio, essa membrana permite uma visão de dentro para fora e ao mesmo tempo quebra a incidência direta do sol, além de promover a circulação do ar no espaço entre ela e o edifício, o que garante um melhor desempenho energético. "Essa pele deixa a estrutura quase como um plano de fundo na paisagem. A lâmina assume diversas 'densidades' de acordo com a luz que incide sobre sua superfície, dando neutralidade à paisagem", comenta Andrade.
Estudos de incidência solar e ventilação determinaram a orientação do prédio: as varandas ficam localizadas nas fachadas leste e oeste, criando uma zona de proteção para o interior do edifício. A tela de aço perfurado e os brises horizontais da cobertura (feitos de lâminas de madeira de reflorestamento autoclavadas) barram o sol indesejável e a velocidade dos ventos, enquanto os amplos caixilhos permitem a entrada da luz natural filtrada e do ar, quando abertos. "O edifício foi todo pensado para ter ventilação cruzada em seu comprimento. Esse sistema de ventilação pretende, em boa parte do ano, dispensar o ar-condicionado", prevê o arquiteto.
Para aproveitar a água da chuva, 2/3 do edifício deve contar com uma cobertura mais alta. Metade dessa estrutura superior coletará a água que será armazenada sobre a cobertura mais baixa e, posteriormente, utilizada para consumo interno, em uma operação que dispensa o bombeamento. O restante da água captada na cobertura superior, destinada ao sistema de irrigação, será conduzido a dois reservatórios inferiores, enterrados no solo (sistema que precisará de bombeamento).
A captação de energia solar será feita com painéis fotovoltaicos na cobertura do edifício, predominantemente nas áreas coletivas e jardins externos, ocupando 1/3 do prédio.
Segundo Vinicius Andrade, a necessidade de se ter um baixo impacto no terreno levou a um método de construção com praticamente nenhum movimento de terra. "O prédio tem poucos apoios e mantém o terreno no perfil natural. É uma primeira medida com grandes concessões para minimizar o impacto", diz. "A maior dificuldade é que é preciso usar uma construção muito precisa, o sistema construtivo tem de ser o chamado 'obra seca', toda feita de componentes, pouca água, mais racional", completa.
O projeto contempla também a criação de áreas densamente arborizadas em pontos estratégicos do terreno, como os acessos e estacionamentos. As obras para o Centro de Informações do Comperj devem começar no início de 2009.
FICHA TÉCNICA
Arquitetos responsáveis: Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
Colaboradores: Florian Schmidt-Hidding, Marcelo Maia Rosa, Marcio Tanaka, Marina Mermelstein, Natasha Pirondi, Renata Andrulis
Consultores: Duílio Terzi - Fundament-Ar (ar-condicionado); José Luis - Soma Arquitetos (paisagismo); Andrea Bazarian Vosgueritchian e Cecilia Mattos Mueller (sustentabilidade/conforto ambiental/eficiência energética); Maurício de Farias - Stec do Brasil (estrutura); Sérgio Kater, Eneas Ferreira - KML Engenharia e Projetos (instalação); Rosângela Castanheira - Tríade (orçamento)