Publicidade
  Login:   Senha:   OK  
 
 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
Brasil

ESPECIAL JOÃO FILGUEIRAS LIMA, LELÉ
Técnica e arte a serviço da cura
Jardins, rampas de traçado ondulado, paisagem. Recursos arquitetônicos que amenizam a dor e estimulam os pacientes a se restabelecerem

Por Ledy Valporto Leal Fotos Celso Brando

border=0


A essência da arquitetura desenvolvida por João Filgueiras Lima ao longo de mais de 30 anos acaba de gerar um novo fruto, o Hospital Sarah Kubitschek do Rio de Janeiro. O complexo impressiona não apenas por suas dimensões excepcionais, com 52 mil m² de área construída, compatíveis com o amplo espectro do atendimento pretendido (toda a região sul do País). Impressiona sobretudo pela riqueza e diversidade do tratamento plástico do conjunto. Como marca do arquiteto, aqui também comparecem as grandes coberturas onduladas, distintas das soluções convencionalmente adotadas em edificações do gênero e o originalíssimo volume do auditório - uma calota esférica que ora lembra uma oca indígena, ora evoca uma lona de circo, abrindo para o céu qual uma flor.

Elementos complementares, mas não menos importantes ganham desenho peculiar. É o caso da cobertura sobre a ligação entre as duas edificações, que exibe uma graciosa ondulação, e da plataforma do solário, uma elegante estrutura capaz de associar engenho e arte. O extenso espelho d'água colocado à frente do hospital responde a funções paisagísticas, climáticas e técnicas. No entanto, pelas sensações que evoca, constitui-se num primeiro e fundamental recurso de humanização do ambiente construído.

Localizado em um terreno de 80 mil m² próximo à Lagoa de Jacarepaguá, o edifício mantém premissas de há muito adotadas nos demais hospitais da rede, como, por exemplo, a solução horizontal com áreas de tratamento e de internação integradas a espaços verdes; a flexibilidade dos espaços internos, potencializada em função das dimensões do complexo; e o sistema de iluminação natural para todas as áreas, com exceção do centro cirúrgico e das salas de equipamentos, cuja necessidade imperiosa de assepsia, entre outras razões técnicas, teve de receber luz artificial.

Foram criados sistemas alternativos de ventilação natural e de ar-condicionado, privilegiando o primeiro de modo a permitir que os ambientes se mantenham abertos durante a maior parte do ano. Para tanto, o arquiteto projetou grandes coberturas com pé-direito variável, o mais baixo com 8 m, formando imensos sheds cuja disposição é totalmente desvinculada da organização dos espaços internos. Os forros planos dos ambientes são constituídos de peças basculantes de policarbonato guarnecidas por caixilhos metálicos. Os espaços compreendidos entre os forros e as coberturas, com pé-direito sempre superior a 4 m, compõem, num só tempo, um grande colchão de ar ventilado e um difusor da luz solar que penetra pelos sheds.

Os apartamentos da internação se desenvolvem em dois níveis e suas respectivas circulações se integram a um espaço central de convivência com pé-direito duplo, servido por rampa com traçado ondulado. Um teto em arco cobre esse ambiente, assim como os espaços contíguos destinados a fisioterapia e hidroterapia, guarnecidos por caixilhos de policarbonato que se abrem por um sistema motorizado de correr, permitindo a ventilação natural de todos os locais.

Solário e auditório
O solário é um espaço de fundamental importância no processo terapêutico dos pacientes, razão de sua presença obrigatória nos hospitais da rede Sarah Kubitschek. Por estar localizado sempre na área externa dos edifícios, permite variados e ricos exercícios formais do arquiteto, como nos hospitais da rede em Fortaleza (1991) e Belo Horizonte (1993). No presente caso, é composto por duas plataformas metálicas retangulares de 180 m², uma em cada nível dos dois pavimentos da internação acessíveis por elevador hidráulico.

O auditório de 400 lugares ganha neste projeto do Sarah-Rio destaque especial por sua forma plástica original e pela implantação, à frente do complexo. Tem base circular com 36 m de diâmetro e, no topo, uma semi-esfera com 13 m de diâmetro constituída de gomos móveis executados em alumínio. Tal recurso permite, conforme a conveniência, tanto escurecer quanto iluminar e ventilar naturalmente o auditório. O sistema de acionamento é todo motorizado, dado o pé-direito de 18 m.

Essa forma geométrica tem sido adotada em outros projetos da rede Sarah, como o do Lago Norte, em Brasília (2000), porquanto permite ser produzida industrialmente. No caso desse hospital do Rio, no entanto, a abertura foi disposta em posição excêntrica, ou seja, deslocada, de modo a incidir luz sobre o palco. Uma elegante marquise com deflexão no trecho central permite a passagem de ônibus de grande altura e privilegia o uso do auditório por outras instituições, enquanto a ligação com o hospital se dá pelo subsolo.

As possíveis inundações provocadas pela elevação do nível da Lagoa de Jacarepaguá levaram os órgãos da prefeitura a desaconselhar a implantação de pavimentos abaixo daquela cota. Assim, foi evitado o emprego de galerias semelhantes às dos demais hospitais da rede porque implicaria aterros onerosos. Um grande lago com 300 m de extensão foi construído à frente do edifício, no nível de seu piso técnico. Desempenha funções importantes de ambientação e de redutor de temperatura, mas especialmente a de evitar os riscos de inundação, ao captar as águas pluviais de todo o lote, lançando-as diretamente na Lagoa de Jacarepaguá.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

FÓRUM FATO & OPINIÃO Lista de Fóruns Enviar Tema
Ainda não há comentários para este fórum
 
Para participar do FÓRUM você deve estar logado no Portal PINI
Usuário: Se você não é cadastrado, clique aqui!
Senha: Esqueci minha senha

  O fórum da aU é um espaço livre para que nossos leitores debatam idéias. Use-o de forma adequada. Mensagens ofensivas, impróprias ou que contenham palavras de baixo calão serão excluídas. Seus comentário serão exibidos juntamente com o nome de seu cadastro no portal Pini.  

 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
 
 
Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Brasil :: ed 176 - Novembro 2008
Reverência à cidade

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Brasil :: ed 176 - Novembro 2008
E cinco anos depois, a casa

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Brasil :: ed 176 - Novembro 2008
Pavilhão da paisagem

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Agenda :: ed 176 - Novembro 2008
Agenda

 
 
Publicidade


digital aU
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
     
 
Notícias  
 

19/11/2008
CREA-RR elaborou guia de acessibilidade em edificações

18/11/2008
Construção discute o impacto da Norma de Desempenho

17/11/2008
Fórum no Rio de Janeiro discute arquitetura e iluminação sustentáveis

17/11/2008
Foster and Partners ganha o International Highrise Award 2008 com projeto do Hearst Tower

 
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
arquitetura Banco do Brasil BNDES Caixa Caixa Econômica Federal Camargo Corrêa cimento crédito crise Crise financeira emprego FGV financiamento Lelé MP 443 prêmio sinduscon-sp sustentabilidade trainee votorantim
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2008 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infra-estrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU