Quem visitar a matriz do Banco Comercial de Abu Dhabi (ADCB, na sigla em inglês) poderá reconhecer algumas tendências dos projetos mais recentes da cidade: a forte influência do que é considerado moderno no ocidente e a reinterpretação das tradições da região. O objetivo é atrair investidores ocidentais, mostrar que Abu Dhabi é capaz de fornecer todos os serviços necessários para se tornar o centro financeiro da região e, ao mesmo tempo, mostrar respeito à cultura local - o que, segundo críticos, não ocorre na rival Dubai.
O cliente que subir aos andares executivos, por exemplo, não será escoltado por um recepcionista até uma sala de reuniões. O próprio diretor, presidente, ou quem quer que seja o anfitrião, é que vai aparecer pessoalmente na recepção para dar as boas-vindas. E a arquitetura deve refletir a hospitalidade.
"Isso é muito diferente do que acontece em bancos e outros escritórios em Londres ou Nova York", diz Enrico Caruso, diretor de design da Gensler responsável pelo projeto de interiores do ADCB. Além disso, é provável que seja servido café e biscoitos numa mesa baixa para não separar o visitante do visitado. "Os móveis foram escolhidos para satisfazer a tradição da hospitalidade árabe." O costume, nascido entre os antigos nômades como ferramenta de sobrevivência, indica que a visita é bem-vinda e honrada pelo anfitrião.
Para Caruso, a capital dos Emirados Árabes, banhada pelas águas do Golfo Pérsico, está passando por uma "nova e vibrante explosão de crescimento". Com cerca de 1,45 milhão de habitantes, 80% expatriados, Abu Dhabi é uma das maiores produtoras de petróleo do mundo. "Mas recentemente, eles têm investido muito em turismo e serviços financeiros porque sabem que não podem depender só do petróleo", diz Caruso. E a estratégia está levando outros arquitetos internacionalmente renomados para a cidade, como Zaha Hadid, Frank Gehry e Jean Nouvel.
Nesse contexto, fica fácil entender a ambição do CEO Eirvin Knox em querer transformar a nova matriz do Banco Comercial de Abu Dhabi no maior e mais imponente ícone da nova arquitetura da capital. O ADCB, que foi formado em 1985 pela junção de três bancos locais menores, já tinha a maior rede de agências do país, com 1.800 funcionários em 40 sedes, inclusive em Bangalore e Mumbai, na Índia. Desde 2003, o banco estava se posicionando para se tornar a maior instituição financeira da região do Golfo.
Em 2006, quando a Gensler foi contratada para planejar estratégias e desenhar os interiores da matriz, o edifício de 24 andares e 11.400 m2 já estava em plena construção por outro escritório (A4 Architects). "O banco precisava de alguém que planejasse estrategicamente o interior do edifício e nós já tínhamos experiência na região", conta Enrico Caruso. Essa experiência inclui o plano máster do Aqaba, na Jordânia, a matriz do Abu Dhabi Investment Authority e o Hotel Ritz, em Dubai.
"Depois de nos reunirmos com o CEO e entendermos as necessidades do espaço e seus números, sugerimos mudar os últimos três andares", lembra Caruso. O projeto do edifício previa um volume triplo sem janelas, perfeito para um hotel ou galeria de arte, mas não para um banco, cujos funcionários passam o dia em escritórios. Assim, a equipe de Caruso decidiu transformar o espaço em áreas arejadas e multifuncionais, com suítes executivas e salas de conferência. O CEO concordou e, hoje, o espaço é usado também para as reuniões anuais que antes dependiam de salões de hotéis. "Os móveis dessas salas são flexíveis com mesas que abrem e portas que correm para transformar o ambiente", destaca o diretor do projeto.
Para os andares mais baixos, onde fica "a máquina do banco", como os grupos de trading e equity privado, Caruso lançou mão do vidro, sua fluidez e transparência. "O objetivo era facilitar a comunicação entre as diferentes áreas do banco", diz. Havia ainda a idéia de evocar uma mensagem ecológica: há pouca árvore, mas muita areia na região e a equipe quis privilegiar o uso de materiais locais.
No térreo, onde fica a principal agência do banco, Caruso usou o vermelho, a cor da logomarca, generosamente. "Como o edifício fica recuado da calçada, com um estacionamento na frente, precisávamos chamar a atenção dos pedestres de que ali havia uma agência", diz. Além dos serviços normais de um banco, como balcão de atendimento e caixas, foi projetado um cofre automático que pode ser acessado 24 horas por dia - um serviço estimado pelos clientes locais.
O novo projeto criou uma oportunidade para atualizar e padronizar a tecnologia antiga para telefonia, por exemplo. "Trabalhamos com consultores para as demandas de audiovisual e de TI. Foi uma operação do século 21", ressalta Caruso. Os vários sistemas de PABX instalados por fornecedores diferentes nos anos 80 foram substituídos por um único protocolo de internet - fornecido pela Alcatel-Lucent - que custa mais barato, facilita a manutenção, impõe menos barreiras para expansão e torna a comunicação entre os funcionários mais eficaz.
Com exceção das suítes executivas para os diretores, a estrutura é surpreendentemente pouco hierárquica - influência direta das construções ocidentais modernas. Por causa disso, os 600 funcionários que trabalhavam no ambiente bastante celular da matriz antiga passaram a ocupar espaços planos e abertos, com áreas flexíveis capazes de alojar reuniões de última hora, introduzindo um novo padrão para ambientes de trabalho no Oriente Médio.
WESTERNS'S VALUES?
Whoever visits the Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB) headquarters may see some of the trends in the more recent projects of the United Arab Emirates: the strong influence of what is considered modern in the West and the reinterpretation of regional traditions. The objective is to attract Western investors, to show that Abu Dhabi is capable of supplying all the services necessary to become the region's financial center and, at the same time, show respect to local culture - which, according to the critics, does not occur in the rival country, Dubai.
Abu Dhabi is one of the largest oil producers in the world, but has recently invested a lot in tourism and financial services because they know that they cannot depend solely on petroleum.
The project for the building in which the ADCB is installed had a triple, windowless volume, perfect for an art gallery, but not for a bank, whose employees spend the day inside offices.
Therefore, Caruso's team decided to transform the space into aired, multifunctional areas, with executive suites and conference rooms.
For the lower levels, the Gensler team used glass, with the objective of facilitating communication among the different banking areas. There was still the intention to evoke an ecological message: there is a lot of sand in the region and the team decided to enhance the use of local materials. In the ground level, where the main bank branch is located, the use of the color red, the entity's brand logo color, stands out.
With the exception of the directors' executive suites, the structure is surprisingly very little hierarchical. Therefore, the 600 employees who worked in a very cellular environment in the old headquarters, began to occupy flat and open spaces, with flexible areas capable of holding last minute meetings, introducing a new standard for Middle Eastern working environments.
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