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Especial Pini 60 anos

Assento cativo
Evolução da ergonomia, a descoberta de novos materiais e mecanismos de movimento tornam as cadeiras de escritório cada vez mais confortáveis

Por Valentina N. Figuerola


Ludwig Mies van der Rohe, um dos grandes nomes da arquitetura do século 20, costumava dizer que projetar um arranha-céu é um pouco mais fácil do que criar uma cadeira. A opinião, que pode parecer absurda para alguns, tem fundamento diante dos muitos requisitos que um assento deve atender. Em especial, as cadeiras de escritório, cujos usuários passam horas sentados realizando tarefas distintas. Por trás de uma cadeira confortável, resistente e bela, existem anos de pesquisa e estudo de designers e arquitetos.

Os avanços tecnológicos decorrentes da Segunda Guerra Mundial foram absorvidos pelos designers e arquitetos da época para a criação de produtos mais eficientes, ergonômicos e mais baratos. Em 1948, o casal Charles e Ray Eames inventava a Eames molded plastic chair, cadeira cujo assento e encosto são configurados por uma peça única, confeccionada em termoplástico. "Apropriada para a fabricação em larga escala, essa peça, bastante empregada nos escritórios da época, revolucionou a história das cadeiras", explica Marcos Braga, designer e professor de história do design do curso de design da FAUUSP.

De acordo com o designer Freddy Van Camp, foi nessa mesma época que surgiram as primeiras cadeiras giratórias. "Com o passar do tempo, elas evoluíram, adquirindo regulagens cada vez mais sofisticadas que as transformaram, posteriormente, em verdadeiras máquinas de sentar", afirma Van Camp. "Hoje temos modelos de cadeiras 'ativas', com encosto e assento separados, que acompanham todos os movimentos do corpo e oferecem suporte para todas as formas de sentar", acrescenta.

O desenho das cadeiras também acompanhou, na prancheta de alguns designers, movimentações artísticas de determinadas épocas. É o caso da Synthesis 45, criada pelo austríaco Ettore Sottsass para a italiana Olivetti como uma contestação ao design clássico e funcionalista da época e seguindo a arte pop. A estrutura de alumínio fundida suporta assento e encosto de plástico. As cores vivas e contrastantes e largura exagerada dos pés fazem com que a cadeira pareça mais um brinquedo.

A ergonomia avançou no período da Segunda Guerra Mundial e também na década de 1980, quando os ergonomistas se empenharam em compreender como uma cadeira de escritório poderia aliviar e minimizar problemas na coluna e tendinites. "As cadeiras de escritório da época propiciavam bom apoio para a região lombar. Eram, em geral, giratórias, tinham cinco pés, rodízios, assento e encosto estofados" explica Lílian Osmo, designer e professora de ergonomia da Faap.

Em 1994, o mercado de cadeiras de escritório passou por uma revolução com o lançamento da Aeron, da empresa norte-americana Herman Miller. Depois de anos de estudos, Bill Stumpf e Don Chadwick, seus criadores, desenvolveram uma peça inovadora com um sistema de inclinação cinemática que permitia ao usuário se movimentar sem esforço. Outra grande novidade foi a substituição do estofado e acolchoado por um único material, uma tela de poliéster que se ajusta ao corpo de cada pessoa. "A Aeron provou que uma cadeira de escritório pode ser ergonômica sem ser estofada", diz Lílian.

Dos anos de 1990 para cá, muitas empresas e designers têm investido em cadeiras feitas com materiais e métodos de produção em conformidade com o design ecológico ou ecodesign. O renomado designer francês Philippe Starck segue a tendência criando peças como a cadeira Louis XX, da Vitra, feita de materiais reciclados. Além da escolha de materiais, o design ecológico abrange etapas como planejamento, desenvolvimento, produção, uso e descarte dos produtos. Tudo para gerar o menor impacto ao meio ambiente.

Van Camp explica que, no setor de mobiliário de escritório brasileiro, a importação de cadeiras, cópia de produtos de líderes de mercado ou a fabricação, sob licença, de projetos estrangeiros é mais comum do que deveria. "Esses produtos nem sempre são adequados ao 'sentar brasileiro', sem contar com outras inadequações como as relacionadas com a fabricação, manutenção, preço ou mesmo uso", complementa o designer. "Mas isso pode mudar com a atual crise econômica, de forma que poderemos ter cadeiras realmente nacionais da concepção à produção", finaliza.

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