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Edição 176 | Novembro/2008
Fato & Opinião
Qual o futuro do IAB como instituição? Colaborou: Valentina N. Figueirola
Ás 16 horas do dia 26 de janeiro de 1921, 27 engenheiros estabeleceram a fundação do Instituto Brasileiro de Arquitetura, na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. De acordo com o instituto, "os primeiros momentos foram dedicados à divulgação da arquitetura, pela organização de uma campanha para a realização de concursos públicos, à preocupação com o exercício profissional, pelo estabelecimento de uma tabela de honorários que pudesse servir de parâmetro para a remuneração dos serviços". O Instituto Brasileiro de Arquitetura deu origem ao atual IAB, após reformulação estatutária em 1933. Passaram-se 87 anos, uma Grande Guerra, uma ditadura militar, o AI-5, a redemocratização no Brasil. Nesse início de século, há muitas críticas sobre a atuação do instituto e análises sobre como deve ser seu funcionamento para cobrir as necessidades atuais dos arquitetos. AU entrevistou arquitetos e urbanistas para saber: afinal, qual o futuro do IAB como instituição?
O IAB passa, como todas as entidades associativas profissionais, por uma crise de identidade, em função de sua wwwcam seu verdadeiro papel na sociedade brasileira. Por isso, a falta de uma definição clara dessa atuação pelo IAB tem feito com que sua identidade não esteja clara para os arquitetos nem para a sociedade. De qualquer maneira, isso não justifica uma crítica à sua atuação, pois a entidade vem tendo um papel preponderante nas atividades desenvolvidas. Podemos citar seu papel cultural no desenvolvimento de concursos, de exposições e bienais, além da firme atuação na concretização do conselho próprio para os arquitetos, e na contribuição à política habitacional e urbana do Brasil. Acredito que o papel da entidade deve se voltar cada vez mais para contribuição às atividades profissionais dos arquitetos, no atendimento da ânsia da categoria, além de uma maior atuação frente aos problemas de políticas urbanas do País. Gilberto Belleza, arquiteto, urbanista e ex-presidente do IAB-DN
Em uma época em que o Colégio de Arquitetos é vetado e o mercado imobiliário se desenvolve divorciado da boa arquitetura, é difícil apostar num futuro brilhante. Com o boom da construção civil, ter uma classe frágil significa nos afastarmos da construção das cidades. O IAB deveria nos representar politicamente; difundir e defender a profissão; organizar cursos, exposições e concursos; buscar diálogo com a sociedade etc. Ou seja, nada difícil, não fôssemos patéticos como representantes de nós mesmos. Em uma sociedade onde corretores fazem valer sua contratação e tabelas, os arquitetos são vistos como supérfluos. Se apenas conseguíssemos no médio prazo ter voz junto aos governos, evitar o aviltamento de honorários e buscar uma ponte com a mídia, talvez a profissão viesse a ser vista com menos desconfiança. Lourenço Gimenes, arquiteto e urbanista, sócio do escritório FGMF
O IAB deve funcionar principalmente como articulador entre arquitetura e a sociedade. Existe um abismo entre a expressão arquitetônica e o entendimento cultural geral que cresce e é cada vez mais prejudicial à produção arquitetônica. É preciso trazer a sociedade para o debate arquitetônico e urbanístico, como acontece em países onde a cultura e educação são acessíveis para mais indivíduos. Do contrário, as cidades brasileiras terão cada vez mais edifícios de má qualidade. Esse é o grande desafio do IAB. Outra importante função é incrementar a produção arquitetônica aperfeiçoando os profissionais oferecendo, organizando ou viabilizando cursos, seminários, concursos e exposições. O Instituto não deve funcionar como representante de classe - teoricamente, existem os sindicatos e associações para isso - porém, os arquitetos e escritórios devem alinhar-se em torno de um objetivo maior e comum que passa por um IAB mais atuante para que o profissional seja valorizado e entendido corretamente. Se não for assim, o IAB tende a ser mais uma instituição sem relevância. Célio Diniz, arquiteto e urbanista, sócio do escritório DDG Arquitetura
Para uma sociedade que se pretende civilizada, só consigo imaginar instituições politicamente fortes e atuantes. Portanto espero que o IAB contribua cada vez mais na defesa e promoção da arquitetura, devendo ter sempre presente que o interesse público é seu caráter essencial. Caberá ainda à instituição zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão; bem como colaborar para a elevação dos padrões de formação do arquiteto. Tendo que ser breve, diria que não é possível pensar a história da arquitetura moderna brasileira sem o IAB. E para o futuro, a atuação no âmbito da crítica e da reflexão será indispensável para que possamos oferecer à sociedade a melhor obra possível. Luciano Margotto, arquiteto e urbanista, sócio do escritório Núcleo Arquitetura
O futuro Colégio ou Conselho de Arquitetos deveria abrigar, absorver e ampliar as conquistas, atividades e debates desenvolvidos pelo IAB em todos os anos em que resistiu à ditadura, sempre se posicionando contra o aviltamento da profissão e, concomitantemente, procurar responder às novas demandas e desafios decorrentes da mundialização e de seus subprodutos mais nefastos: a mercantilização da cultura e a reificação dos indivíduos. É compreensível, mas não aceitável, que alguns profissionais tenham reagido ao criarem entidades paralelas fortemente mercantis e submissas à ideologia neoliberal. O imobilismo de alguns dinossauros stalinistas do IAB e o burocratismo brejnieviano de outros não justificam abandonar a causa maior de todos os arquitetos, mantendo sua unidade, coesão e coerência ideológica, fruto de um debate constante, aberto e democrático, criar uma entidade independente, soberana e livre do oxímoro Crea. Muito menos se justifica o rebaixamento crítico condescendente com uma visão diluidora, subalterna, meramente adaptativa e até, por que não dizer, fashion, de alguns projetos e obras escolhidos nos concursos do IAB dos últimos dez anos ou mais. Pitanga do Amparo, arquiteto com doutorado em arquitetura e urbanismo, editor de livros sobre o construtivismo russo