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Brasil

Reverência à cidade
Novo marco na paisagem paulistana, Top Towers se diferencia dos demais edifícios comerciais da cidade principalmente em função da arquitetura provocativa e lúdica que apresenta e da implantação em local de grande visibilidade

Por Juliana Nakamura fotos Leonardo Finotti




Quem passa pela Avenida 23 de Maio, uma das artérias da capital paulista, e pela Rua Vergueiro, acesso importante à Avenida Paulista, não tem como ficar incólume ao novo complexo comercial instalado na região. Muito diferente da linguagem convencionalmente empregada em empreendimentos dessa natureza - que rotineiramente recorre ao conjunto vidro-granito como sinônimo de imponência e sofisticação e que já não causa impacto diante de tamanha repetição -, o Top Towers Offices se destaca pela volumetria de suas fachadas, criada a partir de uma despojada combinação de cheios e vazios.

O curioso é que essa riqueza visual foi conquistada a partir do emprego de soluções racionalizadas e bem pouco complexas, um exemplo claro de que quando se incorpora inteligência e criatividade ao desenho, a limitação orçamentária deixa de ser impeditiva para se chegar a uma arquitetura de expressão. Confirmando essa teoria e reforçando a necessidade de valorizar aquilo que é essencial, o arquiteto Jorge Königsberger, que divide a autoria do projeto com o sócio Gianfranco Vannucchi, resume: o resultado geral do Top Towers se deve à adoção de princípios projetuais, estruturais e modulares de absoluta simplicidade.

Essa rota de criação mostrou-se pertinente principalmente ao empreendedor, que em meio a uma área de intensa concentração de complexos hospitalares e instituições financeiras, pretendia atender a demanda local por escritórios e consultórios econômicos.

Dessa forma nasceu o conjunto composto por duas torres com 24 e 21 pavimentos e três níveis de subsolo cada. Ao todo são 423 unidades comerciais com áreas de 30 m², com layout flexível e plantas unificáveis, de maneira a gerar escritórios mais amplos de até 120 m².

Durante a concepção do empreendimento, o primeiro grande desafio foi organizar todo o programa em um terreno remanescente com uma frente generosa, mas com quase nenhuma profundidade. Os estudos preliminares indicaram ser inviável a construção de um único edifício no local, o que levou à distribuição das unidades em duas torres que estabelecem uma intensa comunicação entre si.

Produzir um conjunto identificável, de forte impacto, e que de alguma maneira repetisse o skyline da grande metrópole era uma das prioridades dos arquitetos. A partir dessa idéia de produzir uma metáfora do horizonte urbano desenhado por seus prédios surgiu a fachada de volumetria singular que, assim como a cidade que busca representar, desperta distintas reações.

A variação, que proporciona movimento e efeitos de luz e sombra, foi obtida com a redução progressiva dos conjuntos e com a criação de terraços técnicos, semelhantes a caixotes, totalmente em balanço. Os arquitetos explicam que os terraços não passam de um jogo simples de deslocamentos e funcionam estruturalmente como extensões da grande laje retangular de cada pavimento. A caixilharia de alumínio padrão também sofre deslocamentos em função dos terraços de cada conjunto.

O partido tomado remete, de uma forma renovada, às fachadas lúdicas de vários prédios dos anos 40, 50 e 60 presentes até hoje no Centro Velho de São Paulo. Outra referência muito clara incorporada ao repertório é o Terra Brasilis, saído das mesmas pranchetas que o Top Towers. Concluído em 1990 na região da Avenida Luis Carlos Berrini e com escritórios de pequena e média metragem, o prédio se tornou uma espécie de marco do pós-modernismo paulistano.

"Por mais que tenhamos a preocupação de não nos prender a coerências, que no nosso modo de ver muitas vezes funcionam como limitadores criativos, é praticamente impossível não passar o DNA de uma história vivida para cada novo episódio de criação em quase 40 anos de atividade", justifica Königsberger. Entre as características emprestadas do Terra Brasilis, o Top Tower incorpora, principalmente, o escalonamento da fachada e o coroamento trabalhado.

Ao contrário do que a fachada volumétrica faz supor, as plantas no Top Tower Offices são rigorosamente regulares e retangulares, organizadas em volta de uma circulação central. A estrutura em concreto armado convencional é modular e não possui nenhum desvio. Além disso, as instalações foram racionalizadas e, sem materiais sofisticados de acabamento, o empreendimento teve seu custo reduzido.

Múltiplos benefícios

Como em todo empreendimento comercial, uma prerrogativa que deve ser sempre atendida pelo projeto arquitetônico diz respeito à maximização das áreas privativas de venda. No Top Towers, essa exigência não foi diferente. A solução, porém, incorporou certa dose de inovação.

Além de ser decisiva para caracterização das fachadas, a criação de terraços técnicos contribuiu para prover um ganho de área útil de quase 10%, informa Jorge Königsberger. Isso, ao mesmo tempo em que permitiu solucionar um problema comum em edifícios comerciais: alocar os equipamentos de ar-condicionado do tipo split sem comprometer o resultado estético interna e externamente.

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