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Quietude arquitetônica
Na Silestone, Paulo Henrique Paranhos explora uma espacialidade dramática com superfícies ortogonais e aberturas de luz, recorrendo a elementos de coesão com o mercado design

Por Maurício Horta Fotos Joana França, Tao Arquitetura e Telmo Ximenes




Quase um museu da pedra. Assim o arquiteto Paulo Henrique Paranhos resume sua intenção ao projetar para a marca de pedras sintéticas Silestone uma loja no Mercado Design, edifício também desenhado por ele e localizado no Setor de Indústria e Abastecimento de Brasília. No espaço longitudinal, com 207 m² de área construída, Paranhos explorou ao máximo a dramaticidade da iluminação indireta e da monumentalidade do pé-direito de 11,3 m que determinou para os interiores do edifício. Com isso, formou um conjunto coeso entre loja e prédio, sem deixar de dar à primeira uma identidade própria.

O programa encomendado pelo cliente era simples: hall de acesso, área de atendimento para três funcionários, mostruários, espaço para projetistas, copa, área administrativa, apoio e uma pequena recepção para clientes especiais. Contudo, a intenção da Silestone ia além da necessidade de ter um lugar onde clientes fossem para escolher produtos: queria um ambiente que agregasse valor à mercadoria. "Fomos incumbidos de transformar o espaço em algo atraente, diferente e contemporâneo", diz Paranhos.

Para isso, o arquiteto criou um quebra-cabeça de luzes e sombras sobre superfícies ortogonais cuja força de expressão e delicadeza buscam despertar a atenção do espectador. Ao entrar na loja, o visitante já encontra um elemento que reflete o edifício do qual faz parte: uma replicação do painel frontal do Mercado Design. Se este estabelece uma relação porosa de divisão entre a avenida e o edifício, o painel do hall de entrada da Silestone faz o mesmo, numa escala menor, e evita que o vidro exponha escancaradamente o interior da loja.

Passado o painel, descobre-se uma arquitetura de interiores monumental, porém serena. Numa espécie de enorme e profundo "galpão", flutua longitudinalmente uma lâmina de drywall dobrada em "J" invertido na qual se instalou um mezanino.

Embora apenas forme uma cunha em volta de uma laje pré-existente, apoiada a 3 m de altura nas paredes adjacente e posterior, essa lâmina marrom-escuro parece equilibrar-se em um só pilar. Isso porque a parede maior da lâmina acompanha a do prédio paralelamente e desce bem abaixo do nível da laje, escondendo-a.

Paranhos pesquisou algumas alternativas construtivas para esse volume. "Toda a caixa era para ser de chapa, mas havia nisso um problema de estrutura e montagem", diz. Além disso, o arquiteto temia por sua manutenção depois de concluída a obra. Segundo ele, apenas painéis de drywall atenderam às necessidades de leveza, versatilidade, prazo de execução e adequação à estrutura já edificada. Caso contrário, seriam necessários mais pilares, o que acabaria com a leveza da caixa projetada.

Feita essa escolha, Paranhos considerou natural adotar painéis laterais de drywall como segunda parede. Isso permitiu a criação de nichos para exposição de materiais e canaletas e recuos estratégicos para a instalação de lâmpadas que realizam iluminação indireta sobre os painéis. Com as superfícies lavadas de luz e sombra, reforçaram-se a profundidade e a leveza dos volumes.

Na verdade, essa iluminação artificial é mais uma referência ao leitmotiv do Mercado Design: seu painel frontal, sobre cuja superfície interna uma abertura superior projeta luz natural indireta, forma uma enorme tela de luz natural degradê. Outro elemento de coesão são os nichos de luz que acompanham os degraus da escada, remetendo às esquadrias quadriculares do painel frontal.

O resultado é uma suspensão quase musical que desmaterializa o conjunto arquitetônico e o transforma numa sobreposição de lâminas de luz e sombra de vários matizes. Todo o piso, a escada e mesmo a coluna de sustentação da laje são revestidos em mármore bege Bahia, que estabelece uma tonalidade intermediária entre o marrom-escuro da lâmina suspensa e o branco das demais paredes.

A razão de escolher esse mármore, um dos mais comuns e baratos, foi seu próprio despojamento. "Seguramos ao máximo possível o número de elementos. Em vez de expor uma grande variedade, criamos um silêncio em favor da expressão do espaço. Um silêncio em que o material tornasse algo interessante, em que houvesse a percepção do valor do material em si", diz o arquiteto. Com isso, Paranhos tentou se aproximar não de uma loja, mas de um museu da pedra, cuja arquitetura valorizasse o material em exposição e não interferisse nele.

O volume suspenso também delimita a área de atendimento no térreo, ao pairar sobre um comprido balcão para três funcionários. Com isso, torna-se desnecessário o isolamento físico do ambiente. Mesmo mergulhado em um único espaço - esse enorme "galpão" sem paredes internas -, o usuário da loja encontra cantos acolhedores, seja no balcão de atendimento, seja nos espaços mais exclusivos no mezanino. Na Silestone, Paranhos atinge uma monumentalidade intimista, e não intimidadora.

ARCHITECTURAL QUIETNESS
Almost a museum of stones. This is how architect Paulo Henrique Paranhos summarizes his intention in designing for the synthetic stones brand Silestone a store at the Mercado Design, a building located at the Brasilia Setor de Indústria e Abastecimento (Industry and Supplies Sector), also designed by him. In the longitudinal space, with 207 m², Paranhos explored at their maximum the dramatic indirect lighting and the monumentality of the 11,3 m height, which he determined for the building's interior.

On entering the store, the visitor already finds an element which reflects the building to which it belongs: a replica of the Mercado Design's front panel. Whilst this element establishes a porous relationship between the avenue and the building, the panel at Silestone's entrance hall does the same, in a smaller scale, and prevents the glass to manifestly expose the store's interior.

Already at the interior, which resembles a large shed, a drywall blade floats longitudinally folded as an inverted "J" on which a mezzanine was installed. Even though it only forms a cleft around an existing slab, supported at a height of three meters on the adjacent and posterior walls, this dark brown blade seems to balance itself in a single pillar. That is because the larger blade wall runs parallel to the building and descends well below the slab level, thus hiding it.

Paranhos considered natural to adopt drywall side panels as a second wall. This allowed for the creation of niches for exhibiting materials and gutters and strategic recesses for installing the lamps which provide the panels with indirect lighting. With the surfaces full of light and shade, the profoundness and lightness of the volumes are emphasized. At Silestone, Paranhos reached an intimate and not intimidating monumentality.



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