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Sustentabilidade

Recursos passivos
POR BIANCA ANTUNES


imagens divulgação SPBR
Elementos de design passivos são os protagonistas neste projeto do escritório SPBR e prometem reduzir o consumo energético. Orientação adequada, isolamento térmico, janelas com proteção solar, ventilação e iluminação naturais enfrentam os requisitos para diminuição energética no edifício da mediateca da PUC-RJ, vencedor de concurso em 2006. Todos esses elementos, mais a integração cuidadosa do edifício ao ambiente paisagístico, fizeram com que o júri concedesse o segundo prêmio ao projeto no Holcim Awards da América Latina para construção sustentável em 2008.

O projeto considera dois blocos para a disposição do programa: o primeiro, situado no nível inferior, abriga a coleção de livros, mídia e os escritórios administrativos e é chamado de edifício de apoio. A cobertura desse edifício coincide com o nível do pilotis do bloco superior e forma a praça da Biblioteca - que dá acesso ao bloco de cinco pavimentos (incluindo um nível de mezanino e um de varanda).

O desenho faz convergir para a praça o fluxo de pessoas nesse trecho do campus. Aqui também fica um tanque d'água que reflete o conjunto arquitetônico, instalado na cobertura do edifício de apoio e sem produtos químicos para garantir a impermeabilidade. A água é colocada cerca de cinco horas depois que se concreta a laje protendida. "É um sistema utilizado em São Paulo desde os anos de 1950. A casa Milan, do Paulo Mendes da Rocha, é um exemplo", explica Ângelo Bucci. De acordo com o arquiteto, como o concreto é curado submerso, dois fenômenos garantem a impermeabilização: a água que deveria evaporar no processo de cura (uma reação que produz calor) não evapora e, assim, não se produzem fissuras. Além disso, a água sobre o concreto não deixa que a laje ganhe ou perca calor rapidamente, evitando variação dimensional e fissuras por dilatação e retração. "Por um excesso de cuidado não se colocou o tanque d'água em cima da laje que cobre a coleção de livro", conta. A água também pode ser usada como reserva para incêndio.

cortes

A distribuição do programa foi planejada pensando-se no consumo energético do edifício. As prateleiras que guardam os livros ficam em uma área fechada com vidros duplos, que forma um centro retangular.

As funções da administração são distribuídas em salas ao redor do acervo, ocupando os recortes da base poligonal - recortes que contribuem para um auto-sombreamento parcial nas fachadas, bloqueando parte da incidência direta da radiação solar e reduzindo as chances de ofuscamento por excesso de luminosidade. Além disso, os recortes preservam a arborização existente.

A barreira criada pelo espaço da administração, que circunda o acervo, contribui para a eficiência energética do sistema de climatização, pois proporciona uma diferença de temperatura menor entre o interior do acervo e o seu entorno construído, se comparada à diferença em relação ao ambiente externo. Ao mesmo tempo, as salas periféricas da administração se mantêm sempre próximas à luz natural, recurso desejável e necessário às áreas de trabalho.

No edifício superior, reservado a áreas públicas, o tratamento das fachadas nordeste e sudoeste para a radiação solar incidente, e as aberturas zenitais para iluminação natural são os dois principais destaques. As grandes aberturas nos extremos, devidamente protegidas por brises de aberturas calculadas, levam luz natural ao interior do edifício por um sistema lateral. Um vazio central, que atravessa o volume, cria uma varanda no meio do edifício, que funciona como uma lanterna de luz natural no trecho do grande salão. Além disso, o piso translúcido do último andar leva uma parcela de luz de dois sheds da cobertura até os pisos inferiores.

Para evitar o aquecimento e luz solar direta, as fachadas longitudinais não têm janelas e são fechadas por painéis de aço de 5 mm de espessura com uniões soldadas contínuas que não só protegem a edificação das condições climáticas como também dão sombra à parede interna. Mas há mais camadas, cada uma com sua função específica: a chapa de aço cumpre também as funções de estanqueidade e sombreamento, uma cavidade resultante da espessura dos perfis da estrutura metálica funciona como câmara ventilada e espaço para a colocação de duto técnico de ar-condicionado e demais instalações e, por último, o fechamento interno da estrutura é composto por painéis de madeira com isolante térmico.

A solução permite equilibrar o desempenho termoacústico do edifício de acordo com os resultados dos testes de modelo 3D, utilizando ferramentas informáticas para conseguir um desempenho ambiental de acordo com padrões internacionais. Os estudos de sustentabilidade foram realizados pelo Labaut (Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética), da FAUUSP.



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