Partindo do princípio de que uma casa de praia é um artifício para tornar mais confortável e agradável a relação entre homem e natureza, o escritório de arquitetura Mareines + Patalano traçou o projeto que iria ocupar o generoso lote em Angra dos Reis. Coberto por Mata Atlântica e aberto para o mar, o terreno era propício para uma edificação que se integrasse ao meio, o que levou ao desenho inovador.
Inspirado na arquitetura indígena brasileira, fruto de climas quentes e úmidos assim como o local da implantação, o escritório encontrou na forma de uma folha espiralada a solução para a proposta. "A cobertura funciona como uma grande folha que protege do sol todos os cômodos da casa", explica Ivo Mareines, que formou a parceria com Rafael Patalano em 2001. Influenciados pelo trabalho de arquitetos como Renzo Piano, Frank Gehry, Norman Foster, Herzog e de Meuron, Snøhetta e Toyo Ito, definem-se contemporâneos.
O cliente, que desejava uma casa tão encantadora quanto o terreno, ficou surpreso com a maquete apresentada, que revelava o estilo poético dos arquitetos. Jovem e de cabeça aberta a novas ideias, ele embarcou completamente na ideia de uma residência sem corredores ou salas de estar fechadas, em prol de performance e sustentabilidade.
Vazios: a essência do projeto
Segundo os arquitetos, os ambientes livres de divisórias e com pé-direito alto representam, na maior parte das vezes, a essência da edificação. "São os espaços mais interessantes e mais utilizados pelas pessoas que frequentam a casa", dizem. Através deles, a brisa fresca que vem do mar a sudeste penetra frontalmente a residência provendo todas as áreas, abertas ou fechadas, de ventilação e resfriamento passivo, seguindo à risca o conceito de ecoeficiência low-tech determinado em projeto.
As áreas fechadas beneficiam-se da transparência do vidro, ora usados em esquadrias curvas, ora em panos, compondo outro elo de integração entre o interior e o exterior. A casa e o meio também se fundem pelo paisagismo, que no térreo adotou vegetação sob e entre os folículos das folhas-teto, e a piscina que contorna uma das varandas e se transforma em espelho d'água no terraço do lado oposto. Esse espaço ganhou da equipe do escritório a denominação "lounge brasileiro", por causa das redes colocadas para descanso após a sauna.
A casa tem estrutura de aço corten e suas superfícies de acabamento foram deixadas em estado natural: ardósia ferrugem em tiras, madeira de cruzeta de poste e, no piso do térreo, tramas de bambu. Materiais como vidro, cerâmica e cobre patinado (presente na borda da piscina e em detalhes do telhado) também foram empregados. A estética orgânica rica em detalhes, com diferentes ritmos e texturas, provoca a sensação de que a casa, nova em folha, parece estar ali desde sempre, em grande harmonia com a natureza exuberante de Angra. A sensação de pertencer ao lugar.
OCA REVISITED
Ivo Mareines and Rafael Patalano have found in the shape of a spiraled leaf the solution for proposing a house at Angra dos Reis, RJ. "The penthouse functions as a large leaf protecting all the rooms in the house from the sun", explains Ivo Mareines, who formed a partnership with Rafael Patalano in 2001. Thus, the ambiances, free of partitions and with ample heights receive the fresh breeze which blows from the sea at Southwest and frontally penetrates the residence, providing all the areas with passive ventilation and cooling, following the low-tech eco-efficiency determined in the project.
The house has a corten steel structure and its finishing surfaces were left in natural condition. The organic aesthetics, rich in details, produces the sensation that the house had always been there.
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