A informática transformou as formas de trabalho na maioria dos segmentos profissionais. Facilitou processos, propiciou mais agilidade e gerou novas perspectivas de atuação. Nas últimas três décadas de inovações provocadas pela chamada revolução tecnológica, as mudanças atingiram de maneira distinta cada área. Na arquitetura não foi diferente. Atualmente há softwares para as diferentes etapas projetuais - dos mais simples aos com maior grau de complexidade. O processo de desenvolvimento de novas tecnologias parece não ter fim, exigindo atualização constante dos profissionais diante da necessidade de utilizá-las. Para não ficar para trás, nem fazer investimento incompatível, é preciso levar em consideração a utilização das tecnologias no mercado e o custo-benefício que podem trazer.
Aplicação
O investimento em tecnologia deve ser feito na medida da necessidade. Geralmente, softwares muito sofisticados exigem um grau de investimento mais alto, e são indicados somente para quem trabalha com projetos de alto grau de complexidade. "Para um projeto menos complexo, como uma casa simples, é possível até dispensar o uso de software. Mas têm projetos que não podem existir sem essa tecnologia", explica José Wagner Garcia, arquiteto da Noosfera Projetos Especiais e doutor em arte e ciências pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos.
Mão-de-obra
Não adianta investir em tecnologia para a qual não há mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho. Para os escritórios, utilizar ferramentas às quais a maioria dos profissionais está habituada facilita o processo de contratação. Muitas vezes, uma tecnologia com ganho de produtividade pode ficar comprometida caso não haja mão-de-obra capacitada para utilizá-la. "No primeiro momento você pode ter uma perda de produtividade, até se adaptar ao novo software", conta Alexandre Hepner, coordenador de criação da Königsberger Vannucchi. A empresa passou a utilizar softwares de modelagem de informações na construção, que se diferenciam do tradicional Autocad por trabalharem com dados paramétricos e fornecerem tabelas quantitativas, ao mesmo tempo em que geram uma imagem tridimensional.
Capacitação
Quem quer fazer investimento em tecnologias, por necessidade de atender alguma demanda ou por estratégia de ampliação do segmento de atuação, necessita estar preparado para capacitar a equipe de trabalho. "O ideal é fazer uma adaptação gradativa de equipes", explica Hepner. "Aqui na empresa, dois terços já estão capacitados para utilizar os recursos do software", conta. Mas antes de investir no aprendizado de softwares de grande complexidade, é recomendável primeiro dominar os recursos dos mais utilizados no mercado.
Complementares
Na hora de escolher um software, tem de ser levada em consideração sua utilização não só na própria rede da empresa, mas também a conveniência e a capacidade de assimilação pelos escritórios complementares. Caso contrário, pode gerar retrabalho. "A principal dificuldade é o descompasso entre as empresas de arquitetura e as que fazem os projetos complementares", explica Alexandre Hepner.
Fora das prateleiras
Manter um escritório nesse patamar exige alto investimento e, mesmo assim, nem sempre as tecnologias estão facilmente disponíveis. "O estado-da-arte não é encontrado em prateleira", diz Wagner Garcia. O arquiteto acredita, porém, que muitas das novas ferramentas utilizadas por profissionais e escritórios que atingiram esse patamar estarão mais acessíveis em um tempo relativamente curto. Garcia prevê que na próxima década os grandes escritórios estejam utilizando softwares interativos, que proporcionam uma visualização da obra muito mais próxima do real. "O grande desafio da arquitetura não está no espaço, mas no tempo", diz.
Antena ligada
Manter-se atualizado quanto às tecnologias e possibilidades oferecidas pela informática não é fácil, pois requer bastante pesquisa. Com a tendência natural de convergência de tecnologias, muitas vezes ocorrem adaptações ou a assimilação entre segmentos distintos. "Tem de procurar fora do âmbito da arquitetura", afirma Wagner Garcia. Um caso clássico é do arquiteto Frank Gehry, responsável pelo projeto do museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha. Ele usou um software utilizado na indústria aeronáutica, o Catia, para tornar exequível a geometria complexa da obra.
Diferencial
Em que pese a necessidade de se manter atualizado em termos tecnológicos, chegar a esse nível representa muito mais um processo natural do que vontade própria. Além disso, novas tecnologias podem ser a chave para alcançar um diferencial no mercado, principalmente para arquitetos em início de carreira. Muitas vezes, é até uma questão de necessidade. "Daqui uns dois ou três anos, se você não aprender a trabalhar com ferramentas de modelagem que trabalham com dados paramétricos, você ficou para trás", prevê Alexandre Hepner. Para Alexandre, vale a pena se especializar em softwares dessa natureza, pois em breve seu uso deve se expandir pelas empresas de arquitetura.
Exclusividade
Investir no desenvolvimento de um software exclusivo para utilizar em um escritório de arquitetura só é pensável em casos muito excepcionais e quando se vai trabalhar com projetos de altíssima complexidade. Além do alto custo do investimento, o tempo de implantação é muito longo. "São pelo menos cinco anos de desenvolvimento", calcula Wagner.
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