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Salão do móvel de milão


Análises e novidades do Salão do Móvel, por Amelia Valletta
Notícias e análises sobre a edição de 2009 do Salão do Móvel de Milão

POR AMELIA VALLETTA


divulgação Artemide
Cosmic Leafe, luminária projetada por Ross Lovegrove para Artemide
O Salão do Móvel de Milão e o ainda melhor Fuorisalone se cristalizam como uma sequência de imagens gravadas nas mentes dos espectadores, as linhas mestras que contribuirão para redesenhar o próximo cotidiano. Produtos inovadores, mostras temáticas, experimentos com materiais, momentos de reflexão e conceitos futurísticos estimulam o debate e oferecem um leque de antídotos anticrise. Mas quais são os temas que influenciarão o projeto de amanhã?

Doze mil novos produtos. Nada mal em tempo de crise. Fruto do trabalho de tantas empresas e tantos designers que, apesar do arrocho econômico, nos surpreendem com o alavancar vigoroso. Revelam-se hábeis transformadores entre ultramodernos e clássicos - e revolucionam esses últimos para torná-los novos, surpreendentes, inovadores e ricos de conteúdo. Às vezes excedem os limites em jogos excêntricos, ilusões cheias de ironia que transmitem vontade de criar livremente até o limite da obra de arte, ainda que controlem o experimento com um olho atento ao mercado, ao consumidor e às tendências do momento.

DE VOLTA AO BÁSICO

É o tema dominante da nova coleção do inglês Tom Dixon, nascida para demonstrar as virtudes da longevidade, da resistência e do peso, da robustez e da honestidade no design. "Sempre fui inspirado pela solidez que caracteriza os artefatos de engenharia militar, densos de ciência e matemática, onde a durabilidade dos materiais e os processos de produção têm uma importância dominante", explica Dixon. Sua coleção para 2009 fala de utilidade e longevidade, valores oportunos neste momento.

Neste ano foi dominante a recuperação de um design mais sério, menos sujeito às mudanças do estilo ou da moda, mais determinado a re-encontrar o próprio espírito originário, feito de inovação e de pesquisa. Antonio Citterio fala de sólida consistência e de uma visão realista e vigorosa do habitar. Rodolfo Dordoni fala de dar mais valor à normalidade, portanto, menos ilusionismo e estrelismo e mais utilidade e praticidade.

Logo, não mais quilômetros de sofás, cozinhas e armários embutidos que se assemelham a um hall de um hotel ou banheiros que simulam um completo spa. Belos nos catálogos mas distantes da realidade de uma casa normal. Em tempos de crise, muitos produtores sentem a necessidade de voltar à base, e o princípio de elaboração de projetos como o chamado Supernormal, divulgado por Naoto Fukasawa e Jasper Morisson, torna-se um dogma. Não mais grandes volumes, mas a ética da discrição. É preciso recuperar as proporções e margens de venda, com interpretações adaptadas a qualquer situação.

divulgação estúdio Ilaria Marelli
Chips, as tigelas filiformes do estúdio Ilaria Marelli, produzidas com máquinas de controle numérico e com acabamento manual
SEMIÓTICA DIGITAL

Estamos na era digital, e também o design se torna digital. Em outras palavras, significa que não somente a tecnologia digital hoje consente em transformar rapidamente uma ideia em um protótipo ou em um produto acabado, mas, sobretudo, que está em condições de influenciar os processos criativos e a elaboração das linguagens.

E assim são definidos no tempo novos códigos expressivos, muito frequentemente alterados pela natureza em toda a sua perfeição matemática. E eis que as estantes se assemelham a virtuosos organismos marinhos, as luminárias descem do teto como densas teias de aranha, sofás e tapetes de um look pixelado parecem gerados diretamente por um site da internet, as mesas lembram vagamente um pulmão.

Entre os exemplos vistos no Salão, destaca-se a Cosmic Leafe desenhada por Ross Lovegrove para Artemide, uma luminária cujo difusor é uma lâmina de metacrilato transparente texturizado que lembra a forma de uma folha ou a membrana de um microrganismo unicelular. Há, ainda, o sofá formado por módulos paralelepípedos. Do-Lo-Rez de Ron Arad para Moroso, que une e intersecciona os mundos da arte, do design e da tecnologia com uma linguagem vagamente pixelada. Até as tigelas filiformes do estúdio Ilaria Marelli, que nascem da produção de objetos que combinam a produção industrial digital (ou seja, com desenhos CAD e corte com máquinas de controle numérico) com o aspecto do acabamento manual - realizada e dirigida pela própria artista, para obter variações randômicas sobre a mesma forma.

O sucesso desses produtos passa por materiais de nova geração, das fibras inteligentes, dúcteis, versáteis, prontas para enfrentar qualquer prova formal e estrutural. E o design digital se aproxima cada vez mais do objeto de uso comum, compreensíveis e ligados ao cotidiano.

divulgação Daniele Lago
As estantes assinadas por Daniele Lago seguem um sistema modulável baseado em uma grelha de 36,8 cm de lado, que pode ser rearranjado. Daí o nome do sistema, pensado para cozinhas: Lago 36e8
ECONOMIA DE ENERGIA

Falar de sustentabilidade é práxis comum. Entretanto, poucos sabem o que significa exatamente. Nos pátios internos da Universidade de Milão, uma grande manifestação promovida pela revista Interni explica com 15 projetos de arquitetos, designers, artistas e livres pensadores, que é possível habitar em edifícios mais saudáveis, em cidades menos poluídas, protegendo o território. Existe uma Casa para sonhar como aquela do arquiteto Mario Cucinella (publicada em AU 180), já apresentada como um experimento na Bienal de Veneza como casa sustentável a baixo custo (100 mil euros por 100 m2), de madeira com pintura externa de TX Active, o princípio fotocatalítico ativo da Italcementi para combater a poluição.

E há o Diamante energia sem fim de Michele de Lucchi em colaboração com a Enel (empresa nacional de energia elétrica italiana): uma esfera de 8 m recoberta por 38 painéis fotovoltaicos em silício cristalino. Servem para capturar os raios solares e produzem energia suficiente para um pequeno condomínio.

Em resumo, tantas hipóteses para preservar a energia, a matéria e a inteligência do uso comum do desperdício. No entanto, me pergunto, quanta energia e suor humano servirão, no fim do Salão, para demolir e mandar tudo para o lixo?

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