Análises e novidades do Salão do Móvel, por Amelia Valletta Notícias e análises sobre a edição de 2009 do Salão do Móvel de Milão
POR AMELIA VALLETTA
O sofá Do-Lo-Rez, de Ron Arad para a Moroso, com uma linguagem vagamente pixelada
SÉRIE OU FORA DE SÉRIE
Esse é o título da mostra inaugurada dia 20 de março na Trienal de Milão com curadoria de Andrea Branzi, um percurso que explora a relação entre modalidades de elaboração de projetos e posterior produção extremamente diversas, que vão da pura experimentação até a supersérie industrializada.
Arte, puro funcionalismo, pesquisa, ironia, peça única, série limitada ou fora de série? As possibilidades são tantas e no Salão mostram-se todas. Sabe-se que a partir dos anos de 1990 a linha de demarcação entre design e arte foi reduzida e muitos artistas se aproximaram incisivamente do design, gerando peças únicas para colecionar ou para expor no Moma. De fato, criar uma ligação mais estreita com o mundo da arte parece encantar muitas grifes do design italiano.
Jogo de equilíbrio em torno da função na mesa que pode incluir luminária, revisteiro ou gaiola como terceira perna. Design do estúdio francês 5.5
Luminária Tattoo, de Marco Merendi
O projeto
Mezzoterra Mezzomare (Meioterra Meiomar) expõe em uma obra única não numerada, seis diversos mares, aqueles que Michelangelo Pistoletto e o artista Juan E. Sandoval pintaram em 248 cadeiras laleggera (em português, "a leve"), desenhada para Alias por Riccardo Blumer.
Na luminária
Haaa!!! projetada por Starck e realizada pela Flos, as frases da artista Jenny Holtzer fluem, brincando com o flash e intermitências sob o cristal, deformadas pelas suas diversas lapidações. Uma verdadeira obra de arte em edição limitada por 90 mil euros, mesmo que quem a tenha produzido pense diferente. "O design industrial responde a critérios econômicos: preço e número de exemplares são determinados pela complexidade e pelos custos produtivos. O único aspecto que talvez se assemelhe à arte é ser resultado de um ato criativo livre", diz Starck. De opinião diferente, Giulio Iacchetti é porta-voz de certo design democrático. "Quando o design se torna uma peça única, provavelmente não é design ou talvez seja um projeto não acabado. O projeto industrial é em série."
Talvez, como dizia o filósofo Boris Groys, a prática contemporânea do design não é mais voltada à produção de objetos funcionais, mas de eventos, de estados de ânimo e de situações políticas. Não é mais tempo de pensar em produtos, mas de produzir ideias. Ou talvez, como explica Marco Merendi, arquiteto da Fontana Arte especializado em luz, é preciso produzir somente uma magia. "Magia", diz, "é fazer os adultos tornarem-se crianças, fazê-los exclamar 'oooh' na frente de um objeto luminoso sem pensar por que. Magia é a luz, desmaterializada, leve, intocável. Gostaria que os meus projetos se assemelhassem a isso".
O projeto Mezzoterra Mezzomare
Amelia Valletta é arquiteta e designer, desenvolve atividades de pesquisa e consultoria em design, voltada principalmente às inovações de produto para a competição no mercado. Fundou, em Milão, o studio Designtools (www.designtools.it) e colabora com centros de pesquisa em design. É professora na Scuola Politecnica di Design em Milão.
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