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Interseção


Marisa Barda detalha as novas alturas de Milão com seus arranha-céus
De Rogers a Libeskind e Zaha Hadid, passando por Giò Ponti

POR MARISA BARDA


Após esses anos de imobilização, a cidade de Milão entendeu que, para competir com as outras capitais europeias, deve se transformar. Milão é a capital econômica italiana e uma das maiores metrópoles europeias. A área metropolitana milanesa é comparável à de Londres ou Paris: a denominada Cidade Região de Milão tem 9,3 milhões de habitantes que produzem 10% do PIB nacional, um nível igual a Bruxelas ou Madri.

Edifício de Libeskind de 170 m de altura, para o projeto Citylife
A partir dos anos de 1980, a renovação urbana passou a ser mais uma necessidade do que uma escolha. Passa pela reutilização de áreas obsoletas ou desativadas que hoje correspondem a 8 milhões de m2: tudo em volta da urbe que, tal como em Londres, é a ex-cidade dos trabalhadores mudando. Apesar disso, devido à falta de decisão política sobre as áreas obsoletas, passaram-se décadas de bloqueio - nos anos de 1990 só uma intervenção foi realizada, a da requalificação da área da Pirelli-Bicocca.

Essa descentralização industrial não está ligada somente à transferência das áreas de produção, mas à modernização de serviços e de infraestruturas. Há a perspectiva de uma melhora do equilíbrio demográfico e do preenchimento das carências de serviços em determinadas áreas da cidade, prevalecendo o conceito de construir no já construído.

Uma dinâmica que engendra a proliferação entrópica, o acúmulo de construções abandonadas, fábricas vazias e áreas de demolição convertidas em estacionamentos, centros de culto ou depósitos à espera de valorização. É o momento de conciliar a reinterpretação da multiplicidade e densidade da cidade histórica com as exigências do presente, ocupando o vazio com edifícios e espaços bem definidos.

Museu da moda, de Pierluigi Nicolin
Com uma preocupação de agregar valor econômico ao patrimônio, a escolha de um tipo de uso não compatível com o edifício, imposta por interesses puramente econômicos e sem uma atenta avaliação do impacto que pode produzir na obra e em seu entorno (seja um monumento, uma indústria obsoleta ou uma arquitetura vernacular) pode resultar em danos comparáveis àqueles determinados por um abandono.

Em uma cidade congestionada pelo tráfego, a implantação de arranha-céus deveria ser também regulada com base na disponibilidade de transportes públicos. É assim que acontece em diversas cidades europeias, como Londres, onde, mesmo não existindo uma oposição moral ao edifício alto, existe a regra que estabelece que não pode existir estacionamentos particulares nas proximidades de um novo arranha-céu, para que o acesso ao edifício seja realizado pelo transporte público.

Hoje, em Milão, há mais de 15 áreas de intervenção com obras sendo construídas ou já autorizadas, com a previsão de três museus, dois teatros, um auditório, dois centros de exposições, 37 mil m² de residência, 160 mil de áreas verdes, 258 mil escritórios e 11 mil espaços comerciais. Entre esses, destacam-se:

1) O Citylife, na área central antes ocupada pela Feira de Milão, que compreende três novas torres, o museu internacional de arte contemporânea e um parque urbano. De Arata Isozaki, Daniel Libeskind, Zaha Hadid e Pier Paolo Maggiora, com conclusão prevista para 2014.

2) O Portello, em uma área desativada da Alfa Romeo, com um grande parque urbano e edifícios residenciais, comerciais e de serviço. Do Studio Valle Architetti Associati.

3) O World Jewellery Center, que concentrará as indústrias de joias italianas, em um local prestigioso no Portello.

4) Uma nova área residencial e de serviço em Santa Giulia, no sul da cidade, com uma superfície de 120 hectares, dos quais 34 estão reservados para um parque. De Norman Foster.

5) A Biblioteca Europeia de Informação e Cultura, na área da estação da ferrovia FS de Porta Vittoria.

6) A nova sede da região da Lombardia, localizada próxima à estação ferroviária Garibaldi, em uma área que será completamente renovada. De Pei Cobb Freed & Partners, com conclusão prevista para 2009.

7) A nova cidade da moda, também localizada na área Garibaldi-Repubblica, para exaltar o papel central de Milão na moda com a criação de um museu, um centro de serviços e um campus universitário. Projeto de Cesar Pelli e Lee Polisano com Stefano Boeri, além do edifício do Museu da Moda projetado por Pieluigi Nicolini e com paisagismo de Andreas Kipar.

8) A nova sede da editora RCS-Rizzoli, na área nordeste de Milão, onde está prevista uma torre de 80 m.

9) O distrito cultural Bicocca, sede da cidadela da cultura e do cinema.

10) O pólo tecnológico da Bovisa com a nova sede do Politécnico.

11) A área residencial, comercial e parque de Cascina Merlata, próxima ao pólo da Feira de Massimiliano Fuksas em Rho-Pero.

12) A área recuperada da antiga metalúrgica Falck, em Sesto S. Giovanni, com uma intervenção de Renzo Piano para residência e serviço, além de um parque urbano.

13) A área desativada do estabelecimento Carlo Erba, na zona Maciacchini ao norte da cidade que, de zona degradada, passará a ter um parque para atividades culturais, atividades físicas e outros serviços.

14) O Cerba (Centro Europeo di Ricerca Biomedica Avanzata), um pólo de pesquisa e tratamento biomédico entre os mais avançados na Europa, localizado no sudoeste de Milão, em uma área com mais de 610 mil m2, projeto do arquiteto Stefano Boeri.

15) O museu de David Chipperfield para a ex-área da metalúrgica Ansaldo.

16) Um museu da Fundação Prada para sua coleção particular e para outras exposições, com projeto de Rem Koolhaas englobando os sete edifícios de uma antiga destilaria de 1909.

Todos os projetos citados foram realizados por concursos internacionais para atrair alguns dos nomes mais famosos da arquitetura mundial.

Nova área residencial e de serviço em Santa Giulia, com uma superfície de 120 hectares, dos quais 34 é um parque. De Norman Foster

 

Imagens Cortesia dos arquitetos

Marisa Barda, formada pela FAUUSP em 1979, é mestre em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo pela mesma instituição. Em 1982 transfere-se para Milão onde atuou em escritórios de arquitetura, estabelecendo o seu próprio em 1990. Atua em projetos de recuperação, restauro e arquitetura. Colabora regularmente com as revistas Abitare (Itália) e AU.

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