Caso 2: Robôs podem construir
Os arquitetos Gramazio e Kohler (www.gramaziokohler.com) do Eidgenössische Technische Hochschule (ETH de Zurique), um dos centros acadêmicos de maior prestígio na pesquisa e uso de tecnologias digitais, idealizaram um novo sistema de construção à base de "robô e tijolos".
R-O-B, o nome do robô, estende a tradicional pré-fabricação com as vantagens da fabricação just-in-time, e no lugar da construção. Está baseado em um sistema controlado por computador, onde um robô industrial produz elementos construtivos diretamente a partir de informação digital (data). O robô trabalha com total liberdade de movimento para mudar de ferramenta ou de material. O braço do robô agarra os tijolos e os coloca seguindo as instruções do desenho. Gramazio e Kohler experimentam as possibilidades do design, construção e máquinas-ferramentas a partir de descobertas às vezes aleatórias e comuns em processos de design digital.
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| Instalação com os brinquedos reciclados |
Caso 3: Contour Crafting
As tecnologias de fabricação mediante adição de material até o momento têm sido restringidas a uma pequena produção e a objetos de tamanho reduzido. A prototipagem rápida trabalha a partir da leitura de um arquivo em determinado formato (STL), como explicado no artigo
A tecnologia desvenda Gaudí (AU 177). Esse arquivo permite uma leitura axial da geometria, gerando pequenas secções (ao redor de décimos de milímetros), onde será depositado determinado material (desde gessos até metais, passando por vários tipos de plásticos, resinas etc.). A geometria resultante é feita pela adição de material, algo totalmente contrário às tecnologias de arranque de material (fresas, plasmas, laser cuters).
O Contour Crafting (www.contourcrafting.org) é uma tecnologia que está sendo desenvolvida por Behrokh Khoshnevis, da University of Southern California, que aplica a tecnologia STL em uma escala arquitetônica (1:1), mediante a deposição de material. Uma máquina STL de grandes dimensões, onde se pode aplicar como matéria-prima qualquer material que tenha plasticidade (gesso, concreto ou adobe).
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| Site de Greg Lynn pede brinquedos usados |
Caso 4: Brinquedos reciclados
A medalha de ouro da 11a Bienal de Veneza (2008) foi outorgada a Greg Lynn (www.glform.com), que apresentou uma curiosa instalação a partir de brinquedos reciclados. O provocativo projeto conjuga dois aspectos sumamente contemporâneos: o design digital e a reciclagem.
Greg Lynn, observando o crescimento de seus filhos, percebeu que muitos brinquedos eram consumidos e descartados em largas quantidades. Reciclá-los e transformá-los em paredes ou em móveis era o objetivo principal de seu projeto, que trata, de maneira irônica, de resolver esse problema.
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| Desenho e execução do projeto |
A matéria-prima são os abandonados brinquedos, dotando-lhes de um uso totalmente diferente. Para recolher a matéria-prima o projeto está baseado na colaboração de pessoas que queiram vender, ou simplesmente desfazer-se desses, agora inúteis, objetos. Disponível na web do arquiteto, a campanha We want your toys busca arrecadar cinco tipologias de brinquedos que são enviados pelo correio.
Esses cinco brinquedos foram fotografados e posteriormente digitalizados (escâner 3D) para logo se obter sua geometria (CAD data). A partir da informação vetorial, o objeto é manipulado procurando estabelecer novas interseções entre os objetos para dotar-lhes de certa estrutura e estabilidade. Para lograr essa manipulação física, são usados robôs com fresas que podem fazer os cortes necessários para que as peças sejam fixadas entre si mediante calor. Veja o vídeo no Youtube: www.youtube.com/watch?v=tDbr4WYgP3o
Affonso Orciuoli é arquiteto e professor da Universitat Internacional de Catalunya.
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