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Como especificar


Divisórias piso-teto
POR SILVANA MARIA ROSSO

Víctor Benítez-Pascal

O espaço corporativo transformou-se com o surgimento do computador e o custo elevado do metro quadrado nas grandes cidades. Também passou a ser mais integrado e planejado segundo a necessidade espacial de cada profissional e equipe - e não mais pela hierarquia.

Para propiciar flexibilidade e liberdade de remanejamento, incorporadores apostam no conceito open space, entregando uma laje aberta, praticamente nua, sem acabamentos e paredes divisórias. Como consequência, a grande aliada dos projetos corporativos são as divisórias piso-teto, menos espessas que a tradicional alvenaria e mais limpas que o drywall, agilizam a obra, economizam espaço, delimitam os ambientes e garantem privacidade quando e onde necessário.

"Se bem trabalhadas, definem as áreas públicas das privadas, agregam valor e dão charme ao projeto", ressalta a arquiteta Heloisa Dabus. Mas Claudia Andrade, do escritório Andrade Azevedo, avisa: "o custo inicial pode ser alto, mas em virtude do seu benefício, o custo ao longo do uso torna essa opção atraente se comparado com o drywall".

Consolidadas no mercado, as divisórias piso-teto são oferecidas em diversos acabamentos como um sistema construtivo completo e inteligente com porta, batente, ferragens, rodapé e todos os acessórios indispensáveis a uma parede tradicional, comportando inclusive a passagem de cabeamento.

Os critérios para escolha do produto devem ocorrer em função das necessidades quanto à flexibilidade para reconfigurações, privacidade acústica e visual, assim como os recursos para passagem de cabeamento, além do resultado estético obtido pelo uso de uma série de opções de composição e materiais de acabamento, e do cumprimento às normas técnicas.

O projeto

A primeira recomendação de Claudia Andrade é a atenção à modulação. Para a largura existe um padrão que varia entre 1,20 m e 1,25 m por módulo e na altura o padrão é determinado pelo tamanho da chapa de revestimento, sendo indicado usar a altura da porta como referência, mais uma bandeira como fechamento até o forro-teto.

Segundo a arquiteta, é possível repaginar a modulação de acordo com as necessidades de projeto. Mas quando os ambientes são de baixa mobilidade, recomenda-se o máximo de padrão, para facilitar outras reconfigurações.

A divisória deve estar sempre indicada em planta e coordenada com os perfis de forro que servirão de guia na instalação. Claudia recomenda que as vistas dos diferentes módulos constem no projeto, apontando aberturas de portas, pé-direito, tipo de revestimento, dimensões dos painéis, cor dos montantes etc.

O uso do vidro merece cuidado principalmente quando for especificado em grandes painéis, em função do risco de acidentes. O mais indicado é o laminado de segurança, pois a camada intermediária impede sua fragmentação em caso de ruptura. As dimensões máximas de cada placa dependem das suas características e podem ser determinadas por cada fornecedor.

Os arremates merecem atenção, principalmente quando a finalização da divisória ocorrer em montantes de janelas, por exemplo. É necessário detalhar o fechamento de modo que sua execução garanta uma vedação perfeita.

Conforto

Algumas divisórias confinam ambientes e deve-se cuidar para que sejam confortáveis termoacusticamente. De acordo com o arquiteto especializado em conforto ambiental, Milton Granado, o primeiro passo é selecionar componentes que apresentem desempenho termoacústico obtido a partir de ensaios de instituições idôneas.

Uma vez definido o sistema de divisória e o fornecedor, o arquiteto Marcio Porto recomenda que o projeto de arquitetura seja discutido com o representante técnico. Só depois solicita-se o projeto de execução ao fabricante. "É adequado que um consultor de acústica participe do processo e auxilie na avaliação dos desenhos", ressalta Porto.

Termicamente, a contribuição da divisória é otimizar o desempenho do sistema de condicionamento de ar. "Tanto minimizando as perdas do ar-condicionado a partir do interior do ambiente confinado, quanto evitando ganhos de calor excessivos, a partir do ambiente externo", explica Granado. Por isso, convém conhecer o coeficiente de transmissão térmica dos materiais.

Já no que se refere à acústica, a divisória piso-teto tem de garantir a privacidade. Assim, é necessário conhecer o nível de sigilo exigido e as características dos sons emitidos fora ou dentro do ambiente que se quer confinar.

Dante Della Manna afirma que o vazamento de som é o maior problema na especificação das divisórias. "As empresas prometem vedação para até 35 decibéis e quando os testes pós-obra são realizados, verificamos que a maioria veda até 20 decibéis, o que é insuficiente", afirma.

"Para se alcançar o resultado mínimo exigido, deve-se garantir a estanqueidade do sistema desde o piso até o teto de laje", afirma o engenheiro Schaia Akkerman, da Acústica Engenharia. Quando a privacidade acústica é primordial, as divisórias contraplacadas são mais indicadas, com vidro duplo ou painéis acústicos recheados com lã de vidro ou fibra mineral. "A vedação dos espaços com silicone e o uso de perfis automáticos, portas de abrir e não de correr são fundamentais", indica Dabus.

Mais um aspecto é o encontro dos sistemas divisórios com componentes como alvenarias, caixilhos ou outras divisórias. Esses pontos não podem ser descuidados sob pena de comprometer o isolamento entre ambientes. "Para os caixilhos, o cuidado deve ser especial, pois são normalmente tubulares e ocos e, portanto, frágeis do ponto de vista do isolamento acústico", destaca Granado.

Tendências e novidades

"O vidro tem sido fundamental para aumentar a área e dar transparência aos ambientes de trabalho, ao mesmo tempo em que permite momentos de privacidade com instalação de persianas entre vidros", justifica Dabus. Outros recursos para manter a privacidade e garantir a luminosidade são os vidros serigrafados, coloridos e adesivados.

"Painéis de vidro cada vez maiores são uma inovação. Há também o vidro polarizado, que possibilita um painel de vidro opaco ser convertido em painel de vidro transparente, com acionamento de um botão", conta Marcio Porto sobre as inovações do mercado. O arquiteto indica, ainda, o glazing, sistema mais sofisticado de divisórias que funciona como uma caixilharia de fachada. "É totalmente revestido de vidro e os montantes estruturais ficam internos às divisórias, possibilitando que os ambientes sejam definidos por grandes planos marcados somente pela modulação dos painéis de acabamento", descreve.

As novidades também giram em torno dos perfis estruturais. Os de alumínio, segundo Heloisa Dabus, são oferecidos em acabamentos brilhante, acetinado, natural preto, bronze com brilho ou alto brilho. O futuro aponta a utilização cada vez maior das divisórias piso-teto. "A boa divisória é aquela que você não perde, está sempre reaproveitando", atesta a arquiteta Elisa Baião, da Provecto Arquitetura.

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ÓTIMA VIABILIDADE , COMPACTANDO ESTÉTICA E ESPAÇO
 
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