Publicidade
 
Login:   Senha:   OK
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir
Fato & Opinião

Qual a responsabilidade dos planejadores na disseminação de doenças contagiosas?
COLABOROU VALENTINA N. FIGUEROLA


A recente ameaça de pandemia do vírus AH1N1, inicialmente conhecido como vírus da gripe suína, levou o governo do México, país onde a doença teria se originado, a determinar cinco dias de recesso para conter a infecção, uma medida drástica com graves efeitos para a economia, sem contar os aspectos sociais e psicológicos envolvidos. A gripe suína segue a gripe aviária, ocorrida em 2007, e a Sars (síndrome respiratória aguda grave), em 2003. Em vista da frequência dessas pandemias e do crescimento da população urbana, cabe perguntar qual o papel dos planejadores para minimizar, ou pelo menos controlar, a transmissão entre as pessoas em sistemas de transporte lotados, edifícios dependentes de climatização, salas de aula abafadas e outros lugares de aglomeração de pessoas

Marcelo Scandaroli
Ronald Lima de Góis, arquiteto especializado em projetos hospitalares
Entendo que o problema é mais amplo e passa necessariamente por uma reforma urbana e de hábitos culturais. No primeiro caso, adotando-se densidades mais baixas no uso do solo das cidades e na criação de parques e outros espaços livres. No segundo caso, orientando a população no sentido de evitar, ao máximo, o que parece ser uma tendência irreversível de se viver em ambientes artificiais. No caso dos transportes é urgente privilegiar o transporte coletivo e dotá-lo de condições mais humanas de uso. No caso de edifícios, usar ar-condicionado só em locais estritamente necessários como nos centros cirúrgicos de hospitais, por exemplo. O uso de ventilação e iluminação naturais deve ser um hábito a ser cultivado a partir do ensino fundamental incutindo nas crianças, desde cedo, o valor do contato com a natureza. Não esquecer também um bom serviço público de saúde com ênfase na prevenção de doenças.

acervo pessoal
Fábio Bitencourt, arquiteto especializado em arquitetura hospitalar
A história recente das preocupações e valorização do conforto humano estabeleceu condições ambientais que determinaram a artificialização das condições do ar ambiente em muitas situações.

Decorrente desta introdução dos sistemas artificiais de climatização surgiu um problema para as edificações, definido como a Síndrome do Edifício Doente e que utiliza a sigla SBS (do termo inglês Syndrome of Building Sick). As tubulações, dutos de passagem do ar, os sistema de filtragens e o baixo controle sobre os filtros e demais componentes facilitaram a proliferação de microrganismos patogênicos em escala que compromete a qualidade do ar interior. Aos arquitetos e demais profissionais responsáveis pelo planejamento das edificações - especialmente aquelas onde convivem coletividades humanas - as preocupações com a qualidade do ar devem estar em destaque. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) uma das maiores preocupações para o século 21 seria a ameaça das doenças respiratórias. As patologias decorrentes da convivência e do fortalecimento das bactérias, vírus e microrganismos transmissores de doenças poderiam provocar epidemias e pandemias que funcionariam como facilitadores para abranger grandes regiões do mundo. E os ambientes seriam os grandes vetores para tais disseminações. Percebemos que as recentes situações com a Síndrome da Insuficiência Respiratória Aguda (SARS) e com a Gripe Suína (Influenza A H1N1) evidenciam a preocupação que os planejadores de ambientes devem ter: a responsabilidade pela qualidade de vida e pela qualidade do ar nos ambientes.

Marcelo Scandaroli
Domingos Fiorentini, arquiteto especializado em biossegurança e médico
O AH1N1, assim como os demais vírus mencionados, são microrganismos para os quais a comunidade não tem defesa imunológica natural ou por imunização, ou seja, por meio de vacinação. Dessa forma, a ação dos planejadores se restringe, no caso dos vírus emergentes citados no texto, em medidas preventivas, como: 1) orientar a população, em caso de sintomas, a comunicar ao serviço de vigilância sanitária ou serviço médico mais próximo; 2) segregar os suspeitos e as pessoas de seu convívio; 3) tratar os contaminados em instalações apropriadas; 4) ter barreiras em portos, aeroportos e outras entradas de pessoas que estiverem em região de risco. É claro que ao arquiteto cabe projetar edifícios sadios no que se refere à iluminação, ventilação e sistemas de ar-condicionado. Mas essas condições não evitam a disseminação desses microrganismos em questão, pois são insuficientes para evitar as epidemias: a transmissão homem a homem se dá pelo contato direto (espirros, gotículas de saliva, abraços, beijo e falta de higienização das mãos), além da permanência em ambientes fechados na presença de portadores. Vale dizer que o governo tem tomado as medidas possíveis e necessárias até o momento, verificando os focos, evitando sua disseminação e investindo em laboratórios especializados como os NB3, que são voltados ao diagnóstico, pesquisa e produção de vacinas.

acervo pessoal
João Carlos Bross, arquiteto especializado em projetos de edifícios voltados para a saúde
Epidemiologicamente, o que favorece as endemias em centros urbanos é a intersecção entre um grande número de pessoas potencialmente "contamináveis", dentro do que caracteriza o urbano, e os fatores específicos de cada patologia. Dentro desses três fatores os planejadores são capazes de agir de forma preventiva na urbanidade, cuidando eficazmente da educação e saúde, tanto quanto do abastecimento de água e saneamento, e da estruturação dos sistemas de transporte. Em uma análise mais abrangente essas medidas são compatíveis e sinérgicas com toda a nova postura de sustentabilidade. Devemos lembrar que medidas a posteriori sempre serão paliativas, não resolutivas.

 

 
 
Envie para um amigo Imprimir
 
 
Publicidade


Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Fato & Opinião :: ed 192 - Março 2010
Brasília tem de continuar tombada?

PINIweb :: 09/03/10
Os desafios de Natal em um futuro globalizado

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Fóruns :: ed 192 - Março 2010
Brasília tem de continuar tombada?

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Brasil :: ed 192 - Março 2010
5 obras a serem concluídas em 2010: Fundação Habitacional do Exército, Câmara Legislativa, Confea, Sebrae e Nova Rodoviária

 
 
digital aU
 
 
 
     
 
Notícias  
 

09/03/2010
Senador prepara proposta para garantir piso salarial de engenheiros e arquitetos em concursos públicos

09/03/2010
Blindagem de edifícios aumentou nas cidades com alto índice de violência

09/03/2010
Os desafios de Natal em um futuro globalizado

08/03/2010
Escritório dinamarquês vence concurso de projetos para Tribunal Penal Internacional na Holanda

 
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
ABNT Arquitetos Arquitetura Brasília CDHU China concreto Concurso Condephaat Construção Civil curso Engenharia engenheiros civis Escola da Cidade Iphan IPT Licitação obras SEESP vagas
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2009 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infraestrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  PINIempregos
Meu Currículo | Cadastrar Currículo | Buscar Vagas | Cadastrar Vagas | Buscar Currículo | Empresas | Benefícios
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | Treinamento de Software | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU