A arquitetura de interiores do escritório do grupo ING em São Paulo, de Dante Della Manna Open space, vidro para sala de reuniões e um espelho d'água buscam assegurar a imagem do grupo ING como uma entidade confiável e cristalina
Com 150 anos, 25 deles no Brasil como banco de atacado, de varejo e gestor de recursos e seguros, o grupo holandês ING precisava se transferir para um novo endereço. Era preciso comportar os 200 funcionários e o grande número de clientes e visitantes, e ter espaços bem definidos quanto aos usos, um andar para receber clientes e outros dois pisos para staff. Sem se esquecer de passar a mensagem de solidez e transparência.
A tarefa ficou para o escritório de arquitetura Dante Della Manna, que conta que a ideia principal foi montar o andar de clientes dentro de um conceito mais limpo, levando luminosidade natural a todos os espaços, equilibrados pela luz artificial.
"O projeto claro, com transparência em todos os departamentos, ajudou a firmar a credibilidade do banco como um banco transparente e confiável", define Dante Della Manna. O ponto alto da proposta ficou com a recepção, onde está o balcão, o chamariz para quem chega à empresa. A peça deveria ser resistente a impactos, translúcida e trazer privacidade às recepcionistas, além de encobrir equipamentos. A solução: vidro com película e uma luz lindeira que cria pequenas sombras no interior e muita luz ao redor.
O lounge para os visitantes é outro destaque. Determinada pelo tapete de sisal, lã e algodão, que contrasta com o limestone no piso, a área de estar está voltada para o grande espelho d'água com fundo e contorno de seixos rolados. A solução foge do marasmo de espaços corporativos e cria uma estética especial e agradável para quem aguarda ser atendido e para quem já está em reunião no interior das salas vicinais. O espelho d'água foi construído em um nicho do piso elevado. Para conter a água, foi executada uma mureta e feita a impermeabilização da base.
Esse pavimento, que também abriga a sala de almoço para clientes e reuniões importantes entre membros do banco, recebeu focos de maior e menor intensidade de luz que desenham os corredores.
Dividido em departamentos de finanças, mesa de operações, recursos humanos, diretoria, advogados, TI, mercado financeiro e comercial, o novo escritório do ING recebeu fechamentos apenas nas áreas que merecem maior isolamento, como as salas de reuniões. E são muitas, com diversos tamanhos, em função da cultura mercantilista holandesa de que negócios são discutidos em torno de uma mesa.
Garantindo o sigilo necessário a um banco de investimentos sem comprometer o conceito de transparência, a maior parte do fechamento foi feita com divisórias de vidro duplo acústico. Nos locais que exigiam privacidade visual, adotou-se drywall duplo com lã de vidro no interior. Forro especial em placas para evitar a reverberação do som e carpete que ajuda a absorver os ruídos também asseguram a acústica do local.
Nas áreas reservadas para o staff, o projeto seguiu o conceito open space, aproveitando o mobiliário versátil do antigo escritório que permite a expansão ou a contração das áreas de trabalho com pequenas baias. As estações são completadas pelas cadeiras Mirra, da Herman Miller, que se moldam ao corpo, e os gaveteiros individuais. Em alguns ambientes, armários baixos contêm documentos e também ajudam a limitar as estações.
CREDIBILITY AND TRANSPARENCY
The new ING Dutch Group office in São Paulo was designed by the Dante Della Manna architecture firm. The highlight of the proposition is the reception, where the attendance counter is located. The piece should be resistant to impacts, translucent and to assure privacy for the receptionists, besides hiding the equipment. The solution: glass with film and a lintel light creating small shadows in the inside and lots of lighting in the surroundings. The visitors' lounge is another highlight, with a living area towards the large water surface, built in a niche of the elevated floor. To hold the water, a short wall was built around an impermeable base. Divided into departments, the new ING office was provided with enclosures only at the areas requiring increased isolation, such as meeting rooms. Thus ensuring confidentiality without compromising the transparency concept, the majority of the enclosures are made of double acoustic glass partitions. In the places requiring visual privacy, a double drywall with glass wool in its inside was adopted. In the staff areas the project followed the open space concept, taking advantage of the old offices' versatile furniture. The workstations are completed with Mirra chairs, from Herman Miller, and individual chests of drawers.
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