Paisagismo mexicano: mito, deserto e floresta Mario Schjetnan é um dos maiores paisagistas da América Latina e o principal representante da escola mexicana, na procura do diálogo entre tradição, cultura moderna e natureza
POR ROBERTO SEGRE
A dimensão cósmica da natureza latino-americana - Em tempos ancestrais o homem estava imerso na natureza. Tentava compreendê-la e até mesmo dominá-la para assegurar a sua sobrevivência. Sua presença, por milênios, não alterou a vastidão das paisagens naturais. A dinâmica urbana do século 20, com o surgimento das megalópoles, gerou um universo artificial que abriga a vida cotidiana de bilhões de habitantes. As contradições econômicas e sociais criadas pela civilização contemporânea, e a dimensão territorial descontrolada das cidades, entraram em contradição com os ciclos da natureza, desencadeando uma crise ambiental sem precedentes que anuncia um futuro sombrio: a poluição da atmosfera e das águas, a desertificação dos territórios férteis e as mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global que provocam catástrofes naturais, freqüentes nas últimas décadas.