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Como especificar


Pitadas de cor
Pastilhas e mosaicos

POR JULIANA NAKAMURA


divulgação Bisazza
Com mosaicos de vidro da italiana Bisazza, Carlo dal Bianco desenvolveu o desenho que forma o piso dessa casa em Roma, Itália
Ao contrário do que se pode imaginar, a fabricação de placas em grandes formatos, uma das principais inovações tecnológicas nos últimos anos na área de materiais de acabamento, não inibiu a utilização das pastilhas de revestimento. Muito pelo contrário. Seja como detalhes ou revestindo fachadas, pisos, piscinas e paredes inteiras, essas pequenas peças assumiram o status de revestimento sofisticado, permitindo personalizar projetos compondo faixas, mosaicos e dégradés diversos.

Engana-se quem pensa se tratar apenas de um resgate da estética dos anos 1950, 1960 e 1970, épocas em que pastilhas monocromáticas eram sinônimo de luxo. Embora em alguns casos o material seja especificado em clara referência a períodos passados, caso do Cine Tam, em São Paulo, o momento se caracteriza por aprimoramentos refletidos em placas com múltiplas dimensões e diferentes padrões de cor, textura e brilho. Exemplos nesse sentido são as pastilhas de porcelana com acabamentos metalizados que imitam ouro, inox e bronze, estampados e texturizados, bem como as peças com maior resistência a manchas, com maior estabilidade de tons e em formatos que facilitam a paginação.

Outra tendência em consolidação são os materiais mais sustentáveis produzidos a partir do aproveitamento de insumos. Já há, por exemplo, opções que incorporam cinzas provenientes da queima da madeira das olarias no esmalte cerâmico, bem como as placas confeccionadas com vidro 100% reciclado e que resultam de processos produtivos com menor geração de resíduos e consumo de água e energia.

"A evolução é tanto técnica quanto estética", acredita a engenheira Lilian Lima Dias, gerente de certificação do Centro Cerâmico Brasileiro (CCB), referindo-se principalmente às pastilhas cerâmicas e de porcelana. Entre os progressos, ela cita a publicação, em 2007, da ABNT NBR 15.463, norma que estabeleceu parâmetros técnicos mais rigorosos para a fabricação de porcelanatos e pastilhas de porcelana.

Avanços ocorreram também com o desenvolvimento das pastilhas de vidro com bordas arredondadas, que dão maior segurança aos usuários, e de mais opções de acabamentos. "Há de se ressaltar, ainda, a melhora no atendimento pelos fornecedores aos arquitetos e o salto de qualidade das pastilhas cerâmicas, que antes não faziam frente às pastilhas de vidro, mas que agora já podem ser utilizadas como material substituto com resultado bastante parecido", aponta o arquiteto Olivo Gomes.

Nem tudo é aparência

Não há como negar o apelo estético das pastilhas e mosaicos para aplicações em ambientes internos ou externos. Mas problemas podem ocorrer quando tal atrativo se sobrepõe aos quesitos técnicos no momento da especificação. Em outras palavras, perante peças reluzentes e coloridas, muitas vezes se deixa de lado a análise criteriosa de características como taxa de absorção de água - fator decisivo para a incidência ou não de manchas -, a resistência à abrasão e o coeficiente de atrito, fundamental em aplicações em pisos.

"O aspecto plástico é um ingrediente importante na hora da especificação, mas, na prática, o grande peso encontra-se na alta tecnologia agregada na produção desse tipo de revestimento", revela o arquiteto Roberto Simon, diretor do Studio Domo.

Eduardo Quinteiro, gerente de projetos do CCB, ressalta que os revestimentos para ambientes externos precisam responder a demandas mais exigentes do que os assentados em áreas internas. "Em aplicações sujeitas à exposição de intempéries, o material precisa apresentar baixa absorção de água (inferior a 6%) e baixa expansão por umidade. Se o revestimento estiver sujeito a baixas temperaturas é importante que seja resistente ao congelamento", alerta o engenheiro do CCB.

Outra recomendação pertinente, ainda que pareça óbvia, é considerar que pastilhas cerâmicas, de porcelana e de vidro são produtos diferentes, com desempenhos distintos em razão das matérias-primas. As taxas de absorção de água, para ficar em apenas um critério de comparação, evidenciam isso. Enquanto nas pastilhas de vidro esse índice costuma ser menor que 0,05% ou seja, são praticamente impermeáveis, nas pastilhas cerâmicas a taxa de absorção pode ser até dez vezes maior, o que torna a aplicação desse tipo de revestimento mais crítica em situações sujeitas à absorção de líquidos, como piscinas, e de umidade.

Pastilhas por suas matérias-primas

Cerâmica De custo mais baixo, as pastilhas cerâmicas podem apresentar taxa de absorção de água variável em função do seu processo de fabricação. Alguns produtos são classificados como BIIa, o que significa que podem chegar a uma taxa de absorção de até 6%. Como todo revestimento cerâmico, deve ter sua aplicação atrelada à resistência à abrasão. Com ampla variedade de dimensões, podem apresentar superfície fosca ou vitrificada. Também podem apresentar variações de tonalidade.

Porcelana Da mesma forma que ocorre com os porcelanatos, as pastilhas de porcelana são placas cerâmicas para revestimento constituídas por argilas, feldspatos e outras matérias-primas inorgânicas. Podem revestir pisos, paredes e fachadas, podendo ser conformados por prensagem, extrusão ou por outros processos. Costumam apresentar taxa de absorção de água inferior a 0,5%. Em função do uso de materiais mais nobres em sua composição, apresentam resistência mecânica superior às pastilhas cerâmicas e expansão por umidade praticamente nula. Podem apresentar variações de tonalidades.

Vidro Com grande resistência a produtos alcalinos e também aos ácidos, dispõem de ótimo aspecto visual que não se altera com o passar do tempo, permanecendo com seu brilho e cores originais. São aplicáveis em ambientes internos e externos, secos e molhados, em superfícies planas ou curvas. Por apresentarem baixo coeficiente de condutividade térmica, podem ser utilizadas em fachadas para promover um eficiente isolamento térmico. Disponível em cores cristalinas.

fotos Marcelo Scandaroli
Múltiplos reflexos

Quando o arquiteto Miguel Juliano projetou o Sesc Santana (AU 140) o objetivo não era apenas criar um espaço destinado ao lazer e à prestação de serviços, mas também gerar um ponto de referência na zona Norte da capital paulista. Isso levou, entre outras medidas, à adoção de cores vibrantes e texturas variadas proporcionadas pela combinação de materiais como chapas de alumínio composto e pastilhas de vidro. Na fachada frontal, o neutro terracota ganha um aspecto descontraído com a introdução de elementos azuis e amarelos. O mesmo ocorre no saguão de entrada, onde se destaca a parede semicircular coberta com mosaico de vidro azul anil. Com tesselas de 2 cm x 2 cm assentadas com rejunte branco, o revestimento confere uma aparência mais rústica e orgânica à superfície, gerando reflexos de luz multidirecionais.

fotos Marcelo Scandaroli

Ficha técnica
Sesc Santana
Local
São Paulo
Ano 2005
Arquitetura Miguel Juliano Arquittura
Interiores Spadoni & Associados
Construção Talude
mosaico de vidro Vidrotil
Painéis de alumínio composto Alcan
Vidros Perfbox

 

 

Clausem Bonifácio
Detalhe colorido

Em uma residência com linhas arquitetônicas e interiores predominantemente minimalista, a arquiteta Eliana Gomide encontrou nas pastilhas de porcelana uma forma de quebrar a monotonia do branco das paredes. Na área coberta que faz a transição entre o espaço interno e o externo, churrasqueira e bancada ganharam toques de dourado e marrom. Indicado para pisos e paredes de áreas sujeitas à exposição à água, o revestimento foi aplicado em placas de 30 cm x 30 cm com mescla de tonalidades.

Ficha técnica
Residência em Brasília
Local
Brasília
Ano 2006
Design de interiores Eliana Gomide
Engenharia Carvalho e Castro
Pastilhas Atlas e LGE Representações
Piso Solarium
Iluminação Iluminata
Granito da bancada Cajugram

 

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