Publicidade
 
Login:   Senha:   OK
 
 
 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
Internacional

Arquitetura de geometria complexa e grandes transparências no Museu Hergé, de Christian de Portzamparc, em Lovaine-la-Neuve, Bélgica
Com geometria complexa, cores vivas e grandes transparências, o projeto - um prisma alongado em forma de navio - evoca com extrema maestria o universo criado por Hergé, o grande mago das histórias em quadrinhos do século 20

POR ÉRIDE MOURA FOTOS NICOLAS BOREL




Como tornar museológico o universo de um autor de HQ sem arriscar a ênfase, ou pior, a síndrome de parque de diversões? Como interpretar a graça e a legibilidade de Hergé, pseudônimo criado pela inversão das duas primeiras sílabas do nome de Georges Remy, artista gráfico belga, responsável pela criação de personagens e aventuras que marcaram tantas gerações, em todo o mundo? O projeto foi um desafio, mesmo em se tratando de Christian de Portzamparc, prêmio Pritzker de 1994, considerado pela crítica internacional como "o mágico do espaço e da superfície".

O convite para projetar o museu foi feito em 1996 pela própria viúva e herdeira de Hergé, Fanny Rodwell (atualmente casada com Nick Rodwell), e admiradora de sua obra. O arquiteto ficou contente com a escolha do seu nome, embora "um pouco perplexo". Portzamparc já havia projetado bibliotecas e museus para obras clássicas, mas, dessa vez, tratava-se de um museu para Hergé, uma das personalidades mais criativas do século 20, o gênio criador de aventuras que enriqueceram seu imaginário infantil.

Como profundo conhecedor do mundo de Hergé, Portzamparc procurou, desde os primeiros estudos para o projeto, colocar o imaginário no centro de suas reflexões. Em 2001, quando foi definido o local da implantação, em um terreno no meio de um bosque em Louvain-la-Neuve, cidade universitária ao sul de Bruxelas, ele se decidiu pela "imagem de um barco encalhado no meio da floresta". "A obra de Hergé é onírica. De seus álbuns, mesmo quando ele conta histórias de maneira muito concreta, depreende-se um sentimento de irrealidade. Seu mundo tem todas as características da realidade, mas não é a realidade. E era isso o que eu queria para o seu museu."

Os primeiros esboços do projeto foram apresentados a Fanny Rodwell em 2003. Ela aprovou a ideia de um edifício em forma de prisma alongado, com um gigantesco átrio ultraluminoso. Esse espaço, dotado de grandes aberturas envidraçadas, envolve os quatro grandes volumes, de cores e formas diversas, que abrigam, em dois pavimentos, as oito salas de exposição - essas mais sombrias e íntimas. "Esses volumes interiores são como capítulos de um mesmo livro, interligados por passarelas que atravessam o átrio e criam expectativa e curiosidade", acrescenta o arquiteto.

Uma exigência de Fanny Rodwell, plenamente atendida, foi a de que o museu deveria estar destinado a Hergé e não a Tintin, seu personagem mais famoso. No interior do edifício não há representação dos personagens, nem percurso lúdico destinado a crianças. A atmosfera de história em quadrinhos é sempre presente, mas de maneira subliminar. Os motivos coloridos que recobrem os volumes das salas de exposição são ampliações gigantescas de desenhos que figuram nos álbuns das Aventuras de Tintin. As linhas traçadas, as paredes brancas ou as fachadas com as imensas aberturas de vidro, de recortes irregulares, fazem o traço de união com o mundo de Hergé.

Para predispor o visitante à ideia de uma viagem pelo imaginário do artista, o arquiteto projetou uma longa passarela que, como ponte levadiça, sai da praça central da cidade, ultrapassa a rodovia, e chega finalmente à entrada do museu-navio. A fachada se apresenta como duas páginas de um livro aberto: a da esquerda, com a silhueta de Tintin, de costas, dirigindo-se para um navio atracado em um cais; e a da direita, toda branca, apenas com a assinatura de Hergé. A primeira coisa que chama a atenção no museu é o seu interior colorido, onírico, visto através de grandes vidraças recortadas irregularmente, a exemplo das HQ criadas por Hergé.

A visita começa pelo piso superior, no nível dois, onde o visitante percorre quatro salas que apresentam a história e o desenvolvimento das HQ de Hergé. Por um sutil jogo de passarelas e escadas, chega-se ao piso dois, onde outras quatro salas mostram todas as facetas das aventuras criadas pelo artista. O grafista e autor de HQ holandês Joost Swarte, tido na Bélgica como principal discípulo de Hergé, colaborou decisivamente para o sucesso da museografia e apresentação das coleções do museu. Estão expostos aos visitantes, ao abrigo da luz, cerca de 80 pranchas originais, maquetes de navios, 800 croquis e desenhos, pinturas, estudos preparatórios e painéis publicitários, além de obras plásticas e objetos pessoais do artista. No primeiro nível, além do espaço da recepção, ficam os espaços reservados para mostras temporárias (no momento, apresenta o making-of da construção do museu), restaurante, lojas, livraria e salas da administração. Com uma superfície total de 3.600 m², o museu, todo estruturado em concreto, foi concluído em apenas 22 meses.

 

Quadrinhos & Arquitetura

POR CHRISTIAN DE PORTZAMPARC

Foi na saída de uma exposição dedicada à minha obra no Centro Pompidou, em 1996, que encontrei Fanny e Nick Rodwell. Eles tinham visto a exposição e desejavam falar comigo a respeito do projeto de um museu para abrigar a obra de Hergé. Imaginem: Hergé havia embalado e encantado não apenas a minha infância, mas também a dos meus próprios filhos. Com quatro ou cinco anos, os meus primeiros desenhos tinham como tema as aventuras do Capitão Haddock. Alguns anos depois, minhas primeiras arquiteturas (e só agora eu tomo consciência disso) se inspiravam nos gigantescos navios (La Licorne) cargueiros, veleiros e pequenas embarcações orientais e árabes que percorriam os itinerários das aventuras de Tintin, Milou e do Capitão, e nos quais penso ainda hoje como em velhos poemas profundamente escondidos em minha memória.

Foram necessários sete anos para que surgissem, em 2003, os primeiros esboços, o primeiro projeto, a primeira maquete do museu. Ao curso desses sete anos, nós tivemos tempo, Fanny e Nick de um lado, eu de outro, para que nascessem, se afirmassem e se afinassem as necessárias relações de confiança, de conivência, de cumplicidade. E essa cumplicidade, ao longo do projeto, se estendeu também a Joost Swarte, encarregado da museografia, e de Walter de Toffol, responsável pela execução das obras.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

FÓRUM FATO & OPINIÃO Lista de Fóruns Enviar Tema
Nathaly H. Rayzer [23/10/2009 20:53]Mensagem imprópria? Clique aqui

Sem dúvida Portzampac trabalhou com a alma de Hergé. Sensacional essa matéria!!!
 
Para participar do FÓRUM você deve estar logado no Portal PINI
Usuário: Se você não é cadastrado, clique aqui!
Senha: Esqueci minha senha

  O fórum da aU é um espaço livre para que nossos leitores debatam idéias. Use-o de forma adequada. Mensagens ofensivas, impróprias ou que contenham palavras de baixo calão serão excluídas. Seus comentário serão exibidos juntamente com o nome de seu cadastro no portal Pini.  

 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
 
 
Publicidade


Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Internacional :: ed 191 - FEVEREIRO 2010
Para viajar ou ficar

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Catálogo :: ed 191 - FEVEREIRO 2010
Catálogo

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Contatos :: ed 191 - FEVEREIRO 2010
Contatos

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Canal :: ed 191 - FEVEREIRO 2010
Canal

 
 
digital aU
 
 
 
     
 
 
 
     
 
Notícias  
 

08/02/2010
Projeto residencial de Marks Barfield Architects prevê sistema de elevação de até 40 m de altura

05/02/2010
Exposição com trabalhos do escritório Brasil Arquitetura chega em Roma

05/02/2010
Prefeitura de São Paulo desapropria 53 prédios na região central para dar lugar a moradias populares

05/02/2010
Após 10 anos de polêmica, auditório assinado por Oscar Niemeyer é inaugurado na Itália

 
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
ABNT Arquitetos Arquitetura Brasília CDHU CONCRETO Concurso Construção Civil Copa curso Emprego FGV IAB-SP Iphan IPT Licitação obras pavimentação Rio de Janeiro Vagas
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2009 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infraestrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  PINIempregos
Meu Currículo | Cadastrar Currículo | Buscar Vagas | Cadastrar Vagas | Buscar Currículo | Empresas | Benefícios
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | Treinamento de Software | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU