Qual a importância da Bienal de São Paulo? Ela cumpre sua função? O que faltou à 8ª BIA? Colaborou Giovanny Gerolla
É inegável a importância de reunir trabalhos e profissionais para o debate da arquitetura no Brasil e no mundo. No exterior, bienais importantes como as de Veneza e Roterdã se reinventam, se solidificam e criam espaços para debates entre arquitetos e leigos. E como está a nossa Bienal? A equipe de AU esteve na inauguração da 8a BIA, dia 31 de outubro, e ouviu a opinião de arquitetos, pesquisadores, estudantes e organizadores que estavam presentes.
André Dias Dantas, da AUM Arquitetos
É um momento que temos para discutir sobre o que vemos nas cidades e o que produzimos, além de nos aproximarmos de profissionais de outras áreas, para debater os trabalhos. Acho que o formato deste ano é bem-vindo, porque traz uma exposição mais representativa da realidade da nossa arquitetura. Em anos anteriores, lembro de não ter entendido muito bem por que alguns projetos estavam aqui. Este ano a seleção está mais criteriosa. Um ponto fraco é a falta de divulgação; outras bienais são muito mais divulgadas do que a nossa.
Roberto Loeb, arquiteto
A Bienal, como tudo, tem de se atualizar constantemente. Cada nova edição deve ser um desafio - tanto em relação aos conceitos da organização, quanto aos recursos a ela destinados. As bienais de arquitetura terão de ser repaginadas; é importante que não se concentrem apenas nesse pavilhão - que é maravilhoso -, mas que saia também para a cidade, construindo, intervindo. Tem de ser um pouco mais participativa, porque a cidade cresceu, assim como a comunidade de arquitetos. Hoje a periferia é um incrível laboratório à criação de comunidades e experimentos interessantes. O caos é a oportunidade - e isso vai muito além da arquitetura espetacular.
Martin Krings, estudante de urbanismo na Universidade de Hamburg, Alemanha
A Bienal é uma oportunidade única. É o tipo de evento do qual um estudante de arquitetura raramente consegue participar, e por isso as expectativas são grandes. Nós estaremos em workshop nas próximas duas semanas, executando um trabalho que é uma exposição viva. Esperamos que esse seja um encontro dos melhores e mais atuais trabalhos de arquitetura e urbanismo dos vários cantos do mundo, e que sejam grandes o aprendizado e a troca de ideias.
João Virmond Suplicy Neto, presidente da direção nacional do IAB
A Bienal tem uma importância grande à crítica e à reflexão sobre a arquitetura no cenário mundial. E a arquitetura precisa estar sempre em reflexão, porque o homem está em constante mudança. Como espaço a essa crítica, a Bienal deve corresponder aos anseios de nossa contemporaneidade, integrando conhecimento milenar sobre arquitetura à atenção aos sistemas construtivos, ao uso e função dos espaços, à beleza e sua relação com o lugar, e aos meios atuais de sua produção.
Pedro Maurício Borges e Jorge Barreto Xavier, arquiteto português (à direita) e arquiteto da Direção Geral das Artes do Ministério da Cultura de Portugal (à esquerda)
Para nós, é surpreendente ver a Bienal de São Paulo tão vazia. Ela é importante porque a arquitetura moderna brasileira tem grande influência em Portugal e porque, este ano, apresentamos projetos que foram desenvolvidos especialmente para o evento, com trabalhos não só contemplativos, mas que têm forte apelo social e são executáveis. Por outro lado, é preciso que a Bienal lute para manter seu estatuto de evento mais importante da arquitetura na América Latina. A instabilidade constante da organização interna do evento transmite enorme insegurança aos participantes e ao público.
Jean Gautier, direção de arquitetura e patrimônio do Ministério da Cultura da França
A Bienal de Arquitetura de São Paulo é um dos eventos para as comemorações do Ano da França no Brasil, e estamos felizes em participar dela. O Brasil é um grande centro da arquitetura mundial e influenciou importantes profissionais franceses, como Le Corbusier, principalmente a partir dos anos de 1920 e 1930.
Nadia Somekh, curadora do Fórum Permanente de Debates na 8ª BIA, professora da FAU/Mackenzie
Falta mais tempo para o planejamento do evento. E mais recursos para fechar as contas. A Bienal de São Paulo é o lugar de exposição da arquitetura do mundo; é onde ela deve ser pensada, valorizada e divulgada. Hoje as cidades estão perdendo qualidade - principalmente as brasileiras -, e atribuo isso à falta de incentivo à arquitetura.
Louise Cox, presidente da União Internacional dos Arquitetos
A Copa do Mundo em 2014, as Olimpíadas em 2016; esta, agora, é a oportunidade de ver e aprender mais uma vez sobre a arquitetura e o urbanismo brasileiros, na Bienal de São Paulo... Todos os holofotes estão voltados para o Brasil, e é importante que o País aproveite essas oportunidades e tire delas o melhor para seu crescimento.