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Tecnologia & Materiais


Poltronas de auditório
Para conquistar plateias, poltronas de auditório e salas de espetáculo devem atender a exigências que vão além da estética, da ergonomia e do custo
Por Juliana Nakamura


Imagine-se diante de um majestoso palco italiano, seus sentidos tentando absorver a harmonia da orquestra. Mas há um inconveniente: a pequena distância entre sua poltrona e a fileira da frente gera grande desconforto. Você se movimenta discretamente, procurando alívio, mas o assento responde rangendo em voz alta. Depois de algum tempo, a música já não importa mais. Tudo o que você quer é o fim do tormento.

Uma simples poltrona pode pôr a perder todo o trabalho arquitetônico, cenográfico e artístico de uma sala de espetáculos. A especificação correta dos assentos é aspecto crítico para garantir a boa operação desses ambientes e exige a compatibilização de uma série de quesitos, como resistência, necessidade de manutenção, ocupação de espaço físico, interferência acústica, segurança e design, além do conforto.

Para Stephan Steyer, arquiteto da ST Arquitetura e Consultoria, a indústria está voltada, há algum tempo, ao atendimento das necessidades de grandes teatros e cinemas, que empregam assentos fixos. “Para esse tipo de projeto, a gama de soluções disponíveis é grande”, diz ele. O mesmo progresso não é notado nos auditórios e salas de reunião que necessitam de maior flexibilidade e mobilidade, incluindo os espaços de aula e treinamento. “Nesse segmento, há tempos não surgem novidades, tanto que recentemente fomos obrigados a importar dos Estados Unidos uma poltrona específica para uma área de treinamento de um centro de inovação, por falta de opções nacionais com prancheta removível”, lamenta Steyer.

Poltronas mal-especificadas podem interferir negativamente em uma série de características das salas, a começar pela acústica. O consultor José Augusto Nepomuceno, diretor do escritório Acústica & Sônica, explica que um local destinado exclusivamente a concertos sinfônicos requer cadeiras com qualidades distintas das de espaços destinados a outros usos, como peças teatrais. Além disso, as poltronas de salas de espetáculo precisam receber acabamentos que contribuam para garantir às salas a mesma condição acústica independente da lotação.

“As especificações devem detalhar todos os aspectos do equipamento, inclusive o silêncio de operação”, diz Nepomuceno, reiterando que jamais devem ser aceitas poltronas que rangem quando as pessoas se levantam ou sentam, que necessitam de manutenção excessiva ou que possuam dados acústicos sem sustentação.

Decisivo para o comportamento acústico das poltronas, o estofamento também precisa auxiliar o controle de propagação de chamas em caso de incêndio e, ainda, ser termicamente agradável. “A cor, geralmente escura, é uma escolha do arquiteto, mas o tecido deve atender laudos técnicos que certifiquem resistência à abrasão e fixação da cor pretendida”, revela o engenheiro Ismail Solé, que participou de mais de 50 projetos de teatros em sua carreira.

Em conversa com a redação de AU, fabricantes condicionam o aperfeiçoamento do mercado à melhor comunicação com os especificadores e à elaboração de uma norma técnica específica para poltronas de auditório

Especificação crítica

fotos Marcelo Scandaroli
1 Ricardo Varago , gerente de engenharia da Escriba
2 Wilson Cunha, representante da Tecnoflex em São Paulo
3 Dov Armoni , arquiteto da Alberflex
4 Cláudio Grineberg, diretor da Abimóvel – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário e sóciodiretor da Inside Office
5 Ernesto Marques Jr., diretor de marketing da Inside Office
6 Laura Strifezzi, arquiteta da área de projetos da Global Mobilinea
7 Carlos A. Romano, especialista em ergonomia e especificações da Giroflex
8 Wagner Araújo
, gerente de vendas Brasil da Giroflex
9 Sandra Gomes, coordenadora de projetos da Flexform

Quais são as maiores dificuldades que envolvem a especificação de poltronas para auditórios?

ERNESTO MARQUES JR. Os problemas normalmente decorrem do desconhecimento dos especificadores sobre o impacto que as poltronas exercem na questão acústica. Em espaços maiores há mais possibilidades para inserir mecanismos acústicos que irão favorecer a audição de um determinado tipo de espetáculo. Já em auditórios menores, o arquiteto precisa ter um pouco mais de cuidado com a escolha das poltronas, porque a condição de reverberação sonora fica mais impactante. A questão é complexa. Por isso, os arquitetos têm recorrido cada vez mais aos consultores de acústica, que recomendam o tipo de poltrona e outros elementos que irão compor o espaço.

LAURA STRIFEZZI É preciso lembrar que há produtos específicos para cada tipo de ambiente. As exigências de um cinema, por exemplo, são diferentes das de teatros, igrejas, auditórios de espaços de ensino etc. Muitas vezes essas especificidades não são avaliadas por desconhecimento da existência de uma gama tão ampla de produtos.

CLÁUDIO GRINEBERG Um aspecto crítico diz respeito à profundidade e à disposição das poltronas nas fileiras. Muitos contratantes querem colocar um número de assentos maior do que deveriam, o que inevitavelmente acaba comprometendo o conforto. Há projetos que adotam 80 cm de distância entre as fileiras, quando o recomendável é, pelo menos, 1 metro.

 

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