aU | Arquitetura e Urbanismo
 


Cenário
Por Giovanny Gerolla


Arquitetos debatem irregularidades no plano de obras para Copa e Olimpíadas

Falta planejamento e sobra especulação. Essas foram algumas das conclusões do debate Rio 2007/2016: o que não foi feito para o Pan, o que pode ser feito para a Copa e o que precisa ser feito para as Olimpíadas. O debate, promovido pela revista AU, foi realizado na 8a BIA dia 2 de dezembro, em São Paulo, e teve curadoria do arquiteto Sergio Teperman e a participação de José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), e de Flavio Ferreira, arquiteto e professor da FAU/UFRJ.

Ferreira apresentou estudos sobre a viabilidade da implantação dos equipamentos olímpicos no porto, Centro do Rio de Janeiro – e não na Barra, como prevê a proposta atual. “Há um enorme esquema de corrupção no Rio de Janeiro envolvendo prefeitura, governo estadual e a especulação imobiliária da Barra”, afirma. “Estão mentindo para a população ao afirmarem que o porto não comportaria um parque olímpico.”

Com imagens em escala 1 , Flavio Ferreira e um grupo de alunos da FAU demonstram que a região do porto – por onde transitam diariamente quatro milhões de pessoas – possui área superior à que está sendo usada no Parque Olímpico de Londres. “Além de ter espaço suficiente para as novas instalações, as melhorias em infraestrutura beneficiariam todo o Centro da cidade. Na Barra da Tijuca, seu uso ficaria restrito ao seus 200 mil habitantes.”

José Roberto Bernasconi também apontou as obras do Parque Olímpico de Londres como exemplo de planejamento urbano e responsabilidade com o futuro das instalações. O presidente do Sinaenco ainda discutiu a necessidade de agilizar as negociações dos estádios brasileiros para a Copa de 2014. “É preciso começar imediatamente os trabalhos para que não se perca essa ótima oportunidade de melhoria urbana e de projeção internacional do Brasil”, ponderou.

 
Parque Olímpico

 
Equipamentos sem estádio olímpico
 

 

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Montagem dos equipamentos olímpicos de Londres na zona do porto no Rio de Janeiro
Olimpíadas

Flavio Ferreira comparou os projetos do Rio de Janeiro com os de outras duas cidades olímpicas: Atenas e Barcelona. A primeira como exemplo de mau uso dos equipamentos após o evento – principalmente, segundo Ferreira, porque o parque olímpico foi construído longe da mancha urbana. Já Barcelona, onde o parque ocupou área do antigo porto, é um grande exemplo de como uma cidade pode recuperar áreas decadentes a partir de um evento olímpico. “O poder público não divulgou um plano prévio para a cidade, e só ficamos sabendo o que seria feito depois de anunciada a vitória”, diz Ferreira, que compara a proposta do parque olímpico na Barra com o projeto de Atenas, ou seja, implantá-lo na periferia da mancha urbana, no caso, a Barra da Tijuca. “Hoje, em Atenas, os equipamentos estão decadentes. Há grande probabilidade de essas construções entrarem em deterioração no Rio, se isso acontecer.” Ferreira ainda cita a atual experiência de Londres, que tem privilegiado o Centro da cidade visando ao uso futuro dos equipamentos e às melhorias urbanas.

 

divulgação Secretaria de Estado da Cultura de São

Copa

Uma oportunidade extraordinária que corre sério risco de não ser aproveitada. Assim coloca José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) a situação atual dos estádios e as oportunidades que gerariam às cidades. “Fizemos visitas técnicas a estádios entre julho e outubro de 2007. Nenhum dos estádios brasileiros atendia aos requisitos da Fifa”, critica Bernasconi. “De Copa mesmo, ou Olimpíadas, são apenas alguns dias. O que fica para a população são os benefícios urbanos. E a visibilidade pode ser aproveitada como vitrine, para atrair o mundo e fazer negócios... Para tanto, é preciso fazer a lição de casa. Ou, em vez de vitrine, seremos uma grande vidraça, onde as pessoas vão jogar pedra”, instiga. De acordo com Bernasconi, é preciso que as obras fiquem prontas até junho de 2013. “E não é pouco a fazer: acessibilidade, manutenção, segurança, problemas estruturais, desplacamento de concreto, armaduras expostas. Lamentavelmente, 2008 já foi perdido e 2009 está acabando. Em 2010 teremos eleições, e o Brasil vira palco de discussões políticas”, argumenta. Bernasconi lembra que ainda não equacionamos uma solução econômico-financeira para os estádios que recebem a Copa, e cita apenas alguns projetos já avançados, como o de Curitiba e o do Distrito Federal. “Todos os estádios deveriam ter tido projetos aprovados até setembro, mas não ficaram prontos e a Fifa estendeu o prazo para 31 de março de 2010. Ainda vai dar tempo, mas apenas se for tudo muito bem planejado, com logística perfeita e impecável”, conclui.

 

Jacques Herzog vem a São Paulo e fala sobre o Teatro da Dança

Marcia Alves

“Espaço, estrutura e ornamentos são uma coisa só.” Assim o arquiteto suíço Jacques Herzog 2 define o projeto do Teatro da Dança 3 , que seu escritório, Herzog & de Meuron, está desenvolvendo para o Centro de São Paulo (AU 177). Herzog esteve na cidade em dezembro.

As lajes formam faixas horizontais que se cruzam perpendicularmente em meios-níveis e são interligadas por rampas. Para quem observa o edifício de fora, esses elementos se destacam, pois não há uma fachada convencional. “Não queríamos um edifício tradicional, com uma passagem para entrada e saída das pessoas. Queríamos uma topografia tridimensional”, conta Herzog. A ausência de paredes externas promove a ventilação cruzada – solução ideal, na visão do arquiteto, para minimizar o uso de ar condicionado.

O escritório procurou criar um espaço que se integrasse ao entorno – e projetou, por exemplo, a rampa de ligação entre o Teatro da Dança e a praça Júlio Prestes, à sua frente, como um elemento de convite à entrada. O impacto do edifício na região foi um dos maiores desafios na concepção do projeto, segundo Herzog. “Havia diferentes opiniões sobre se a obra era ou não boa para a cidade. Nós, sendo de fora, não tínhamos uma opinião confiável.

Tínhamos uma intuição, e essa intuição funcionou bem em vários lugares”, declara o arquiteto. Segundo Herzog, o projeto ainda está em fase conceitual. Na próxima etapa serão discutidos revestimentos, cores, tipos de vidro, sombreamentos e proteção contra chuva.

 

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divulgação Nike

Marcas brasileiras se destacam em prêmio europeu de design

edição 2010 do iF Product Design Awards, um dos principais prêmios europeus de design, trouxe brasileiros entre os vencedores. A Electrolux ganhou na categoria Casa/cozinha com a linha Infinity de refrigeradores. Em Design público/design de interiores, a Nike do Brasil, em parceria com o Art Office Design, levou o selo iF pelo projeto Nike Holiday 4 , no qual o consumidor coloria adesivos em estruturas nas vitrines. A Condor foi laureada na categoria Medicina/ saúde pela escova Plus, criada pela Inove Branding + Design. Na categoria Lazer/estilo de vida, foram três os vencedores brasileiros: a Penalty, com sua Bola 8; o escritório Mendes-Hirth, pela bengala Erlanger; e o designer Adalberto de Amorim, com o Anel Reflexo. Entre os vencedores, destaque para o designer Fernando Prado, da Lumini, que levou o prêmio iF pela sexta vez. Neste ano, o reconhecimento foi na categoria Iluminação, por sua luminária de piso Lift (AU 186), com apoio na parede, haste em aço inox escovado e cúpula com acabamento de madeira. Os premiados ganham o direito de estampar o selo iF.

 

Eleita nova diretoria do IAB-RJ

O IAB-RJ tem um novo grupo de dirigentes para o biênio 2010/2011. A chapa única Arquitetura: Cidade Metrópole, que tem como presidente Sergio Magalhães, foi a vencedora das eleições realizadas em novembro. Os integrantes da chapa entendem a sustentabilidade como um compromisso que dever ser menos retórico para uma cidade como a do Rio de Janeiro. Ricardo Villar Gomez, Pedro da Luz Moreira, Carlos Eduardo Feferman e Ceça Guimaraens são os vicepresidentes de finanças, administração, relações institucionais e relações socioculturais, respectivamente.

 

Vigliecca & Associados vence concurso para nova Assembleia Legislativa do RS

O projeto do escritório paulistano Vigliecca & Associados 5 foi o vencedor do concurso público nacional para o plano de ocupação e requalificação espacial do complexo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O concurso foi organizado pelo IAB-RS e o escritório recebeu 45 mil reais. Até o fechamento desta edição, a empresa negociava com a Assembleia Legislativa o contrato para realizar o projeto executivo da obra. Além de resolver o problema dos acessos do edifício, resgatando a arquitetura original e integrando as áreas interna e externa, o trabalho foi elogiado pela estratégica ocupação do território e do entorno. O vencedor inverte as opções de crescimento em altura sugeridas pelas bases do concurso.

Em segundo lugar ficou o projeto do escritório SOG Arquitetura, que recebeu 20 mil reais. O terceiro lugar foi dividido pelo escritório Nagle e Cecco Arquitetos Associados e PontoArq Arquitetura, com prêmio de 7,5 mil reais para cada. Houve, ainda, duas menções honrosas: para o projeto do trio Thiago Natal Duarte, João Paulo Daolio e Alessandro Sciulli e para o escritório Projeto Paulista.