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Redução do impacto ambiental norteia projeto de Moema Wertheimer para escritório da Boehringer Ingelheim, em São Paulo
Projeto inclui cuidados no impacto ambiental e bem-estar de funcionários, adotando conceitos que transmitem a nova identidade da multinacional farmacêutica

Por Silvana Maria Rosso Fotos Ary Diesendruck




Considerada pelo Instituto Great Place to Work como uma das 25 melhores empresas para trabalhar, a multinacional Boehringer Ingelheim do Brasil desde 2009 incorpora filosofias tanto para diminuir o impacto ambiental quanto para melhorar a mobilidade e bem-estar de seus profissionais. No Brasil, o plano da farmacêutica alemã de 124 anos foi alterar o modelo de trabalho com um ambiente intimista e ecologicamente correto, começando pela transferência da sede em São Paulo para um local mais apropriado.

A escolha do edifício foi guiada por conceitos que priorizaram o menor impacto ambiental, além de localização estratégica que gerasse menos tempo de percurso para os funcionários. O escolhido foi o Edifício Rochaverá (AU 173), um green building na zona Sul da capital paulista, pela identidade com a nova fase da empresa, arrojo e inovação do projeto arquitetônico e, principalmente, pela situação geográfica que possibilita o acesso a serviços e transporte, além de possuir vagas para bicicletas e chuveiros a todos os colaboradores. Foi feito um estudo que avaliou a distância percorrida pelos profissionais da empresa entre a residência e o trabalho e a respectiva quantidade diária de gás carbônico despejada na atmosfera. A mudança de endereço resultaria na redução de 45 km rodados a cada dia, e 30% na emissão de gás carbônico.

Dentro desse novo pensamento, foi implantado o conceito de mobilidade de trabalho, garantido por um sistema de comunicação integrada avançada e pela arquitetura. Todos os dias, cerca de 20% dos 200 funcionários trabalharam em esquema home-office, visando não só ao ganho de espaço, tempo e qualidade de vida, mas à redução de CO2 e do trânsito da cidade.

Com o desafio em mãos, Moema Wertheimer, responsável pela arquitetura de interiores da nova sede, previu espaços abertos, com a divisão de setores, mas sem diferenciação estrutural hierárquica, uma vez que haveria o rodízio de postos. As salas fechadas foram reservadas para as atividades que demandam confidencialidade e privacidade, como os espaços de reunião. O layout incluiu 50 m2 de jardins e 1,5 mil vasos distribuídos pelo escritório com plantas que "sequestram" o CO2 do ambiente, melhorando a qualidade do ar interno e diminuindo o consumo do ar condicionado.

Foram utilizadas duas tipologias de mobiliário: estações tipo plataforma medindo 1,40 m x 0,60 m e estações 120° na área de marketing, criando um layout que favorecesse a sinergia do departamento. Alguns mobiliários receberam biombo metálico perfurado com material fonoabsorvente para melhor absorção dos ruídos, e outros de vidro para melhor integração e comunicação das equipes. Evitando o incômodo da incidência de luz nos monitores, as estações de trabalho foram posicionadas perpendiculares à janela.

Para estimular a criatividade dos colaboradores, o projeto criou ambientes descontraídos e informais como o game room com videogame, e o cyber space, com uma área de relacionamento para receber visitantes. Um espaço gourmet oferece frutas, sucos e alimentos saudáveis, além de poltronas de quick massage e espaço baby care.

O projeto de interiores não se restringiu à distribuição eficiente dos espaços, mas na escolha dos materiais - que, mais uma vez, teriam de ter menor impacto ambiental. Todos os móveis são de materiais ecologicamente corretos como madeira certificada e lonas de caminhão em substituição aos couros, e as tintas que revestem as paredes são à base de água.

Muitos materiais pré-existentes foram aproveitados, como 75% do forro, que assiste no conforto térmico do escritório. Em algumas áreas utilizou-se forros de gesso e na área colaborativa foi criado um pergolado de cumaru. Os 2.000 m2 de carpete em placas, desenvolvido com fios reciclados, são intercalados com réguas de PVC também reciclado e outros materiais que personalizam ambientes, como o porcelanato na recepção, o deck de madeira cumaru na área colaborativa e de madeira angico no espaço rústico.

Para aproveitar a iluminação natural e economizar energia, o projeto determinou persianas eficientes e vidros no lugar de paredes. Um sofisticado sistema de automação permite que as luzes se acendam automaticamente conforme a claridade que vem do exterior, e o funcionamento do ar condicionado seja interrompido quando as áreas estiverem vazias. O sistema de condicionamento foi projetado para atender diferentes áreas e tipo de uso oferecendo o controle individual da temperatura. Para a iluminação artificial, foram especificadas lâmpadas fluorescentes T5 e dicroicas 35 W, de boa eficiência energética.

O projeto destaca a imagem da farmacêutica desde a recepção. Segundo a arquiteta, esse espaço deveria ir além de um simples balcão de atendimento. Desde a entrada, o visitante (cliente, fornecedor, colaborador etc.) é informado sobre o que é a empresa. Ali estão instalados três televisores de 52" com vídeos institucionais, novos produtos e documentários, integrados a um posto de venda que simula uma minifarmácia e expõe os produtos da Boehringer.

Adesivos nas paredes e outros recursos visuais divulgam a visão e a missão da Boehringer Ingelheim. E grande parte da comunicação interna ocorre em real time, pelos 40 monitores distribuídos por todo escritório, visando à redução do consumo de papel.

Não só o projeto de arquitetura preocupou-se com medidas ecologicamente corretas. Também na etapa da obra, a Lock Engenharia adotou medidas com esse enfoque. "Houve descarte adequado dos resíduos de madeira e metais, doados diariamente a uma empresa de reciclagem, utilização de materiais atóxicos e implementação de sistemas diferenciados que impactam no menor consumo de energia", ressalta Daniel Gispert, sócio-diretor da Lock.

A maioria das medidas tomadas em projeto e obra cumpriu as exigências do Leed e tinha como objetivo alcançar o certificado da U.S. Green Building Council, em fase de avaliação.

OFFICE OF THE FUTURE
Boehringer Ingelheim do Brasil, a multinational company, changed its work model with a modern, intimate and ecologically correct ambiance, starting with the transference of its São Paulo headquarters to a more appropriate location: the Rochaverá Building (AU 173), a green building located at the south side of the paulista capital. A study evaluated the distance covered by all the company's coworkers between their homes and the office, as well as the daily amount of Carbon Dioxide discharged in the atmosphere. The change of address would result in a reduction of 45 km per day, and 30% in the Carbon Dioxide discharge. Besides, every day, about 20% of the 200 coworkers were operating in a home-office scheme - with quality assured by an integrated communication system and by architecture. Moema Wertheimer, responsible for the architecture of the interiors, designed open spaces, with the sectors divided but without any structural hierarchical differentiation, once there would be work rotation. Some of the furniture has perforated metallic partitions made with sound-absorbing material, and others have glass for better communication between teams. The majority of the project's measures and its execution complied with Leed's requirements, and had the objective to comply with the U.S. Green Building Council certificate, which is in its evaluation stage.

 
   
 
 
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