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Tecnologia & Materiais


Solidez, facilidade para a troca de placas, altura do pé-direito e revestimento são aspectos a considerar na especificação de pisos elevados
POR JULIANA NAKAMURA


A história do piso elevado no Brasil começou há mais de 20 anos para atender a demanda por acesso ao cabeamento estruturado em salas técnicas e pequenos centros de processamento de dados. Desde então, esse sistema vem ampliando suas aplicações, especialmente em ambientes corporativos, onde flexibilidade para mudanças de layout e agilidade de execução tornaram-se imprescindíveis.

"Hoje, todos os novos escritórios consideram a solução de pisos elevados", afirma o arquiteto Silvio Heilbut, autor de uma série de projetos corporativos. Ao mesmo tempo, embora seu custo inicial seja cerca de 30% maior do que uma solução de piso convencional, o sistema se tornou um dos recursos mais valorizados no retrofit de prédios antigos, uma vez que sua presença é associada à ideia de modernidade e de edifício inteligente.

Atingir essa condição de uso só foi possível porque, com o passar dos anos, os produtos foram aperfeiçoados, incorporando tecnologias como o sistema de ar insuflado pelo piso. Com placas perfuradas e grelhas para saída de ar, essa solução promete reduzir em cerca de 25% o consumo de energia em relação ao sistema insuflado pelo forro, além de possibilitar o controle individual por zonas.

Novos acabamentos também foram disponibilizados, como o laminado, o carpete em placas, o porcelanato e o granito. "Há, inclusive, revestimentos produzidos a partir de material reciclável, que podem ser compostos por diferentes pigmentos como se fosse um granilite", conta a arquiteta Heloisa Dabus. Segundo ela, esse tipo de inovação abre uma gama de possibilidades para acrescentar valor aos projetos.

Os sistemas se diversificaram tanto, que atualmente é possível encontrar no mercado, além dos tradicionais pisos elevados com estrutura de aço, os pisos monolíticos moldados in loco, além de modelos com suportes telescópicos para rochas naturais - esses últimos mais voltados a aplicações externas, como em varandas, pátios e coberturas.

"As opções de encaixe e de regulagem de altura se aprimoraram, viabilizando instalações mais limpas e rápidas", destaca o arquiteto Marcelo Agosto, sócio da Balken Arquitetura e Tecnologia. A colocação de um piso elevado produzido com componentes de termoplástico de alta resistência pode ser feita a uma velocidade de 300 m²/dia, enquanto os sistemas metálicos mais antigos, por serem mais pesados, podem demorar até sete vezes mais.

A especificação dos pisos elevados deve ser pautada na análise crítica de itens como a necessidade do usuário em relação à infraestrutura de cabeamento; o pé-direito do ambiente; a resistência a cargas fixas (como os mobiliários) e móveis (tráfego de pessoas); a alocação e a organização dos cabos de voz e dados em eletrocalhas ou não; além da escolha do revestimento, que, além dos aspectos estéticos, deve considerar requisitos técnicos, como os desempenhos térmico e acústico.

divulgaçaõ Remaster
Ícone da arquitetura do Rio de Janeiro, o Edifício Serrador, no centro da capital fluminense, passou por um retrofit que incluiu a recuperação da fachada tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural e a reconstrução dos ambientes internos para abrigar escritórios. Visando a assegurar flexibilidade aos conjuntos, o edifício recebeu piso elevado, rede elétrica flexível, rede de voz e dados e revestimento. Para não sobrecarregar a estrutura antiga e facilitar a manutenção, foi especificado um piso leve, com 12kg/m² e 7 cm de altura. Além disso, o cabeamento dispensou o uso de eletrocalhas, agregando praticidade às alterações de layout.

Edifício Serrador
Local
Rio de Janeiro
Empreendedor Rede Windsor Offices
Piso elevado Remaster
Forro Hunter Douglas

 

Do CPD ao escritório

Fornecedores de pisos elevados e especificadores se reuniram com a redação de AU para discutir os avanços e as limitações desse sistema. Muitas opiniões foram conflitantes. Confira.

 
Fotos Marcelo Scandaroli
1) Paulo Vinicius Jabilut, diretor da Remaster 2) Washington Sadoco, gerente geral da HP Pisos 3) Augusto Tsai, arquiteto da Space Solution 4) Silvia Correia, coordenadora técnica da Tate 5) Maria Luiza Brufatto, gerente comercial da Tate 6) Heloisa Dabus, titular do escritório Dabus Arquitetura 7) Fernanda Gabriel, sócia do escritório VG Arquitetura 8) Adinael Oliveira Barbosa, representante comercial da Levitare 9) Luiz Carlos Krasucki Jr., diretor comercial da Levitare 10) César Teixeira, gerente comercial da Pisoag 11)  Augusto Jr., diretor da Pisoag

Como vêm evoluindo os sistemas e as aplicações de pisos elevados ao longo dos anos?

CÉSAR TEIXEIRA Quando o piso elevado surgiu, ele era utilizado apenas em centrais de processamento de dados. Naquela época, era feito com madeira na própria obra. Desde então, esse sistema evoluiu bastante, saindo das áreas mais técnicas e chegando aos escritórios.

De forma aproximada, quanto mais caro o piso elevado pode ser, inicialmente?

PAULO VINICIUS JABILUT Se comparado a uma solução convencional com piso vinílico, o piso elevado pode custar de 30% a 40% a mais.

HELOISA dabus Só que esse "mais caro" é muito relativo. Em um retrofit, por exemplo, quando não há piso elevado, é preciso incluir na conta o custo para demolição e para refazer. Na comparação final, o piso elevado sairá mais barato.

FERNANDA GABRIEL Isso é verdade, mas o grande desafio é convencer o cliente de que vale a pena gastar mais. O cliente tende sempre a escolher aquele que é mais em conta.

SILVIA CORREIA O piso elevado é um produto consagrado. Há dez anos a gente brigava para explicar o que era esse sistema e qual sua utilidade. Nós já superamos essa fase e, nos dias atuais, principalmente nos grandes centros, nos dedicamos a expandir as aplicações que o piso elevado pode ter.

PAULO VINICIUS Eu discordo. Na minha visão, o piso elevado não evoluiu em nada ao longo desses anos. Estamos diversificando os materiais de revestimento, é verdade. Mas, em termos de tecnologia agregada ao piso, não evoluímos não. A cada quatro anos temos uma nova tecnologia de cabeamento estruturado. Enquanto isso, o piso é praticamente o mesmo. O mercado ainda carece de flexibilidade.

HELOISA Em termos de altura, vocês estão desenvolvendo alguma coisa? Muitas vezes, a gente quer usar piso elevado, mas nem sempre o pé-direito permite isso.

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