Concreto, vidro e aço são os principais elementos que compõem os pórticos de acesso às estações 102, 108 e 112 Sul do Metrô-DF. Com projeto elaborado em parceria pela TCBR/Altran e pela Companhia do Metropolitano, as obras localizadas na Asa Sul, em Brasília, foram concluídas entre 2008 e 2009.
Os acessos de algumas estações mais antigas - caso da 114 Sul, construída em 1994 - caracterizam-se por grandes lajes de cobertura em concreto que integram a entrada do metrô às paradas de ônibus próximas. O projeto do Metrô-DF/TCBR propõe uma diferenciação clara entre os dois acessos para as novas estações, localizadas em área mais central do Plano Piloto.
As estações subterrâneas, assim, ganham acessos independentes. Foram concebidos pequenos pórticos de abrigo para as escadas rolantes e as convencionais, com estrutura lateral de concreto armado e cobertura de vidro laminado. A solução conferiu maior transparência ao ambiente de passagem, abrindo espaço para a penetração de luz natural no interior da estação. O desenho aberto dos pórticos procura minimizar - ou até mesmo eliminar - a possível sensação de claustrofobia em decorrência do enterramento natural da estrutura. Na superfície, complementa o conjunto o volume de concreto que abriga o poço do elevador.
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| Desenho aberto e emprego do vidro na cobertura conferem transparência ao ambiente de transição entre a superfície e o subsolo. Solução procura reduzir sensação de enclausuramento |
Para garantir o conforto térmico aos transeuntes, as aberturas são protegidas por brises compostos por perfis de aço sobre as escadas. Com isso, garante-se a ventilação natural da área, reciclando o ar quente que poderia se acumular no local - efeito potencializado pelo fechamento envidraçado. "Até cogitamos eliminar os brises, mas os mantivemos porque eles protegem o interior das intempéries", explica Luciana. Os perfis horizontais inclinados criam uma estrutura vazada que permite a renovação do ar, mas bloqueia a entrada da chuva no acesso.
A luz natural, a constante circulação do ar e a introdução de vegetação no espaço subterrâneo - especialmente com espécies que não requerem luz direta - permitiram a produção do que a arquiteta Daniela Diniz, chefe do departamento de engenharia do Metrô-DF e professora da UnB, chama de "ciclo biológico" no subsolo. "Quebra-se assim o mito negativo do subterrâneo, marcado por elementos como escuridão, enclausuramento e umidade excessiva", explica.
Foram construídos 15 pórticos que seguem esse projeto - cinco para cada uma das três estações. Para criar a identidade visual dos acessos foi desenvolvido um painel horizontal com azulejos dispostos como um mosaico. As cores do Metrô-DF - laranja, azul e branco - marcam a composição.
FICHA TÉCNICA
Arquitetura TCBR e Metrô-DF
Consultoria TCBR/Altran