Moradores antigos da Granja Viana, em Cotia, São Paulo, os arquitetos Diego Romero e Lígia Vailati, do Design + Arquitetura, sempre imaginaram o que seria o edifício de nome Firmenich, às margens da rodovia Raposo Tavares. Pois no início de 2007 estavam completamente submersos no mundo de perfumes e aromas que a multinacional suíça, uma das líderes mundiais do setor, desenvolvia no Brasil.
Em fase de expansão no País, a empresa buscava um novo espaço built to suit com a empreendedora Bracor, para abrigar seu Centro de Desenvolvimento Criativo. E foi para esse novo centro, instalado também na Raposo Tavares, que os jovens arquitetos receberam a responsabilidade de criar ambientes com luz, cor e charme - sempre dentro das filosofias da empresa, mas com um toque brasileiro que a diferenciasse das outras sedes em construção pelo mundo.
O projeto arquitetônico do edifício, de térreo mais dois pavimentos, foi desenvolvido seguindo o padrão internacional de projetos da empresa. Toda a adaptação foi supervisionada pelo arquiteto espanhol Manuel Dominguez, da Firmenich, em parceria com o escritório brasileiro Engineering que, juntos, definiram o desenho das áreas técnicas do laboratório, refeitório, circulação externa e anexos, e a maior parte do layout dos escritórios para funcionários.
Aos arquitetos da Design + Arquitetura coube a tarefa de criar atmosferas atraentes em todas as áreas abertas à visitação, além das circulações e salas destinadas à diretoria e reservadas a apresentações especiais aos clientes. "Isso gerou 200 folhas de desenho para uma área de 4 mil m², organizadas em planilhas descritivas, memoriais e cadernos de especificações", explicam os arquitetos. Essa quantidade de papéis também é explicada pela própria política de trabalho da empresa - onde tudo deve ser definido com a autorização e consenso dos coordenadores dos departamentos-alvo do projeto.
"Participamos de reuniões para definir até o tipo e a cor das prateleiras flexíveis das salas", explicam. Esse sistema democrático de gestão contorna os possíveis limites de orçamento e garante que as mínimas necessidades sejam atendidas e todos os usuários se sintam participantes da construção da história e do lugar.
A construção é dividida em três blocos. O central abriga o hall principal de entrada. Nos dois braços retangulares e opostos estão o bloco de perfumes e o de aromas. O projeto dos halls foi o responsável pela conquista do cliente. A empresa promoveu uma concorrência entre cinco escritórios de arquitetura selecionados e solicitou um pequeno estudo desses espaços. Diego e Lígia inseriram nos átrios de pé-direito triplo dos blocos A e C imensas escadas metálicas no formato de folha, com corrimão acrílico. A ousadia e o significado certeiro da forma, que remete ao trabalho que a empresa desenvolve com matéria orgânica, ganhou a concorrência. As robustas escadas ocupam quase todo o espaço em cada átrio, e suas estruturas se cruzam a apenas 1 cm de distância.
Como complemento à ideia, um grande painel verde da paisagista Gica Messiara sobe por toda a extensão das paredes laterais, com irrigação automatizada. Cada hall abriga um lounge e um coffee point marcado pela composição de revestimentos aparentemente distintos, como ripas de madeira sintética e chapas metálicas onduladas. Para coroar esse pequeno espaço, uma tela de trama de inox envolve as mesas e cria uma atmosfera diáfana de transição, reforçada pela iluminação das réguas de led no piso e no teto. "O projeto de iluminação de cada espaço também englobou a obtenção de cenas específicas, uma das grandes especialidades do escritório", explica Diego.
No primeiro e no segundo pavimento dos dois blocos maiores, o campo de atuação da Design + Arquitetura concentrou-se na especificação de revestimentos de piso e de forros das circulações e halls, no desenho de lounges e coffee breaks (em todos os pavimentos), na definição e formato das divisórias, na iluminação e na criação de áreas especiais.
As salas dos funcionários mantiveram o seu mobiliário seguindo o padrão já existente no antigo edifício. No primeiro pavimento do bloco de perfumes, mesmo sem definir o mobiliário das salas, os arquitetos reinventaram uma forma de ocupação dos espaços, ao angular as divisórias. O desenho enviesado preenche o amplo corredor e cria uma circulação em que a vontade é de estar, não de passar. Para conferir personalidade e um toque mais lúdico aos interiores dos escritórios, a proposta foi instalar prateleiras flexíveis coloridas, dispostas de forma personalizada por cada funcionário.
Na maioria das áreas especiais - como lounges, espaços de testes e de apresentações -, a dupla projetou mobiliário específico com predomínio das cores branca e vermelha, e com peças de design nacional e internacional. No primeiro pavimento do bloco de perfumes ficam o lounge de marketing, o hair salon e o lounge dos perfumistas. Para os lounges foram criados móveis angulados e iluminados. Já no hair salon, onde são testados perfumes de produtos para cabelos, especificaram-se móveis ergonômicos para lavagem de cabelos, e espelhos iluminados dão vida a um autêntico salão de cabeleireiros.
As áreas especiais nos segundos pavimentos se sofisticam - são as salas de marketing, salas de apresentação de conceitos a clientes e um hall para exposição que inclui uma adega de perfumes. As salas de marketing, uma em cada bloco, são dedicadas a pesquisas de novas tendências e de mercados e, como um estímulo à imaginação, são marcadas pelo vermelho, que desce das paredes em painéis que formam tampos de mesa.
As salas de demonstrações de novas criações são equipadas para permitir a montagem de espaços cenográficos. O forro iluminado é formado por placas translúcidas de fibra de vidro, com trilhos trifásicos para múltiplas cenas, além de filtros de aumento do facho, com cores e efeitos diferenciados. "Como servem a vários propósitos essas salas não podem ter muitos móveis, mas necessitam de recursos de iluminação", explicam.
No bloco de aromas essa sala se amplia, ganha uma demo kitchen, espécie de cozinha experimental onde os demonstradores testam aromas em produtos feitos para a indústria alimentícia, e uma mesa de reuniões que permite vários arranjos. Para complementar, uma típica sala de reuniões, no bloco central sobre o hall principal, chamada de sala Amazônia, traz o contraste entre o cimento queimado das paredes e o revestimento externo com as chapas onduladas, as mesmas empregadas nos coffees points dos três pavimentos.
O que o visitante encontra em todo o percurso dentro do edifício é um compromisso com a ideia da vanguarda, do novo design possível, traduzido tanto nas formas quanto na tecnologia empregada, sempre de última geração. Essa busca pelo inusitado é característica comum no trabalho desses jovens arquitetos, que já estiveram nas páginas de AU com o projeto do restaurante japonês Koban, em São Paulo (AU 147), ponto de partida para um caminho profissional que mescla arquitetura, design e tecnologia.
DESIGN ARCHITECTURE
In its expansion phase in Brazil, Firmenich sought a new built to suit space with Bracor real estate development, to hold its Creative Development Center. For that new center, the young architects from Design + Arquitetura received the responsibility to create new ambiances with light, color and charm - always within the company's philosophies, but with a Brazilian touch to differentiate it from the other headquarters under construction in the rest of the world. The architects had the incumbency to create attractive atmospheres in all the areas open for visitation, in addition to the circulations and offices destined to the directorate and reserved for special presentations to clients. The building is divided into three blocks.
The central one shelters the main entrance hall. In the two rectangular and opposing wings, there is the perfumes and aromas block. The architects inserted into the triple height atria of blocks A and C immense metal stairways shaped as leaves, with acrylic handrails. The robust stairways occupy almost the entire space in each atrium, and their structures cross at only 1 cm from each other. As a complement to the idea, a large green panel by landscapist Gica Messiara rises through the entire extension of the lateral walls, with automated irrigation.