O discurso corporativo proclama que chegou a hora da flexibilidade. Divisórias que podem se abrir para garantir fluidez ou se fechar para oferecer privacidade a uma reunião. Uma área de staff que hoje acomoda 16 pessoas, mas é capaz de mudar para acomodar até 36 no futuro. Espaços que funcionam como biblioteca, mas podem ser fechados com um painel tipo muxarabi e se transformar em local de reunião. Todas as soluções publicadas em projetos desta edição.
A primeira solicitação dos clientes parece ser um projeto que reflita os princípios das empresas, a maioria dentro da tríade: transparência, solidez e - de novo - flexibilidade. Nos interiores corporativos tudo se transforma e cada decisão de projeto deve ser tomada para resolver problemas futuros. E o futuro chega rápido. De acordo com a respeitada revista The Economist, em uma edição especial sobre o Brasil no final de 2009, o País pode se tornar a quinta maior economia do mundo nos próximos 14 anos, passando Reino Unido e França. Até 2025, segundo a PricewaterhouseCoopers, São Paulo será a quinta cidade mais rica do mundo. Pelo menos no que depender do mercado imobiliário, a previsão parece estar certa - gruas invadem os poucos terrenos disponíveis e locais mais adensados passam por reformulações e retrofits para abrigar novos escritórios e empresas.
Se o Brasil criar 1,5 milhão de empregos em 2010, como estimou o Governo Federal no início do ano, dá para imaginar o impacto na demanda por cadeiras, mesas e espaços corporativos criados para clientes cada vez mais exigentes e preocupados com custos. Se há quase um consenso entre os arquitetos entrevistados nesta edição sobre o volume de projetos para os próximos anos, isso não se repete em relação aos honorários. Quanto cobrar? Deve-se receber também da indústria e institucionalizar a polêmica reserva técnica? Cada um sustenta uma opinião. Aí, a polêmica toma corpo e a flexibilidade diminui.