Para a realização de um orçamento consistente, é imprescindível um projeto bem resolvido, em que todos os materiais a serem utilizados já estejam definidos. O conhecimento dos custos de um projeto é uma obrigação do arquiteto. O orçamento inicial é feito por meio de indicadores de custo. O CUB (Custo Unitário Básico da Construção Civil) e o Custo PINI de Edificações são algumas fontes de referência para sua elaboração. Essa estimativa faz parte de uma primeira aproximação, que vai ser refinada posteriormente, com os quantitativos corretos e a cotação de preços dos insumos. O arquiteto responsável pelo projeto solicita as cotações, equaliza-as, e as insere na planilha de custos.
Também pode ser feita uma estimativa por metro quadrado de construção, considerando sempre qual o padrão e o tipo de obra (baixo, médio, alto, ou comercial, residencial, incorporação). "Podemos definir duas estimativas: uma inicial, calculada rapidamente a partir de índices de mercado, o que pode ser feito com o dimensionamento básico do projeto, e outra mais elaborada, a partir dos estudos iniciais do projeto, onde já se consideram materiais e soluções construtivas", explica o arquiteto Francisco Spadoni, do escritório Spadoni Associados.
Em geral, o orçamento de uma obra é realizado em cinco dias úteis, com todos os projetos executivos prontos. Uma vez feito o orçamento de maneira adequada, e se não houver variação de projeto, a alteração de valor não é superior a 5% do total. Os softwares de orçamento mais utilizados são o Volare, o Tron-Orc, o RM Orca e o Arquimedes. As empresas normalmente adaptam os softwares para suas necessidades e metodologias. Alguns escritórios preferem usar apenas a planilha do Excel. Uma boa apresentação, com planilhas detalhadas, demonstra organização e conhecimento técnico do projeto.
"Quando um orçamento detalhado é apresentado a um cliente, o grau de confiança entre as partes aumenta. O custo previsto para a obra deixa de ser um 'chute' e passa a se basear em premissas concretas", afirma o consultor Aldo Dórea Mattos, autor do livro Como preparar orçamentos de obras, publicado pela editora PINI.
Diferenças
Uma obra de pequeno porte requer cuidados no orçamento porque as produtividades costumam ser menores do que em grandes empreendimentos - a quantidade relativamente pequena de serviços não permite que as equipes atinjam ritmo de produção muito elevado. Obras menores também implicam custos fixos e administrativos mais reduzidos. A incidência da mão de obra pode apresentar variações em função da qualificação.
Em obras comerciais e residenciais, o executor do orçamento precisa ter certeza de que não está deixando de computar todos os dados. Serviços como impermeabilização, por exemplo, às vezes passam despercebidos e ficam de fora do orçamento, o que pode causar surpresas no custo da obra. O orçamento real pode se descolar da estimativa inicial por várias razões: erros de orçamento, omissões, alterações posteriores de projeto, mudanças de especificações.
Quando isso ocorre, a transparência costuma ser a melhor solução: recomenda-se identificar os desvios no processo e procurar, em conjunto com o cliente, possíveis alternativas para eventuais etapas não executadas. Também é importante considerar a capacidade do cliente em admitir aportes extras de capital. "O importante é identificar a quem é imputável o aumento dos custos e sempre documentar tudo. É mais fácil apontar uma tendência de estouro antes do que depois do fato consumado", diz Dórea Mattos.
Etapas
Entre as informações prévias necessárias para a elaboração do orçamento estão os quantitativos dos serviços, as especificações técnicas de cada serviço, o que será feito com mão de obra, e os impostos que incidem no local da obra. Além disso, é recomendável ter sempre três cotações de preço de cada insumo ou serviço.
"A cotação é solicitada aos fornecedores, planilhada e equalizada, e então apresentada ao cliente. Geralmente surgem compatibilizações, alguns valores são negociados comercialmente, e após essas etapas a obra se inicia", afirma o arquiteto Renato Dalla Marta, do escritório AUM Arquitetos. O escritório costuma apresentar várias propostas orçamentárias iniciais, com diferentes opções de revestimento, ou mesmo opções de layout, que tenham impacto significativo de valor, para que o cliente não tenha que tomar uma decisão baseado apenas na questão arquitetônica, mas para poder ponderar entre custo e benefício.
"As estimativas são feitas por nós, arquitetos, baseadas na experiência. Os orçamentos detalhados são passados para a engenharia. Para se chegar a um orçamento confiável é necessária a experiência de obra e suas diversas implicações, com conhecimento técnico e informações adequadas", diz o arquiteto Paulo Sampaio, do escritório Uniarq. Se o orçamento for terceirizado, o contratante deve acompanhar de perto os trabalhos para ter certeza de que tudo foi incorporado ao orçamento.
Contratos
Um bom contrato é a base para um bom relacionamento com o cliente. Deve ser estabelecida uma porcentagem ou preço fechado para o gerenciamento da obra. Se o cliente desejar, pode indicar fornecedores para a obra, mas nesse caso o escritório não se responsabiliza pela qualidade e pelo prazo de execução do serviço.
Mudanças de especificações e modificações de projeto costumam ter cláusulas específicas. Outros imprevistos, tais como clima e interferências externas, também devem ser observados. "Se a contratação for por preço fechado, todos os custos devem estar previstos - inclusive uma verba para situações imprevistas", lembra o arquiteto Paulo Sampaio.
| |
O
fórum da
aU é um espaço livre para que nossos leitores
debatam idéias. Use-o de forma adequada. Mensagens
ofensivas, impróprias ou que contenham palavras de
baixo calão serão excluídas. Seus comentário
serão exibidos juntamente com o nome de seu cadastro
no portal Pini. |
|