Segundo o dicionário, dobrar é o ato de reduzir o comprimento ou o tamanho de algo, de acordo com um esquema pré-estabelecido. Pode-se dizer que o conceito é aplicável ao CityCar, um carro elétrico sem motor central que, ao estacionar, é capaz de se dobrar e reduzir seu comprimento em até um metro. Com rodas independentes, baterias elétricas e joysticks direcionais, o veículo promete reinventar não apenas a tecnologia sobre rodas, mas também a mobilidade pessoal urbana. O automóvel é um protótipo desenvolvido pelo grupo Smart Cities, composto por uma equipe de 17 pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e colaboradores da GM, liderada pelos professores William J. Mitchell e Ryan Chin.
Pesando um pouco menos de 450 kg, o CityCar tem 2,5 m de comprimento máximo e dois grandes compartimentos: o da frente, que acomoda passageiros, e o traseiro, para armazenamento de bagagem. Com uma arquitetura peculiar, o carro tem um sistema básico formado por quatro rodas motorizadas, alimentadas por baterias elétricas. Além de um motor próprio, cada roda tem direção, suspensão, freios e controles independentes, motivo por que são chamadas de Robot Wheels. Um sistema chamado Drive by Wire integra esses componentes e possibilita a troca de dados entre o controle central do veículo e as rodas. "Cada uma delas é controlada eletronicamente e de forma independente pelo computador de controle a bordo do veículo, que coordena a condução", explica Chin. As rodas se movem em mais de 120 graus, o que permite ao veículo girar em torno de seu próprio eixo, andar de lado e mudar de faixa se mantendo com a face para frente.
Outro destaque do carro é o sistema de freios regenerativos, que transforma a energia liberada durante a freagem em energia elétrica. Os movimentos do CityCar são controlados por dois joysticks - um para acelerar e brecar o veículo e outro para o controle da direção. As baterias são de íons de lítio e ficam alojadas no assoalho do protótipo, liberando espaço no projeto e mantendo o centro do carro com uma massa baixa. "O CityCar exige um pacote de baterias de 10 kWh, que lhe dá uma autonomia de 100 km antes de uma nova recarga. Esse tipo de bateria é capaz de se recarregar em cerca de 15 minutos", explica Chin. A cabine de passageiros e o espaço para bagagem são conectados por um sistema de ligação com quatro barras, que também permite que o CityCar se dobre. Quando o mecanismo é acionado, as rodas do compartimento traseiro empurram o sistema para frente e o encaixam na parte dianteira, que se projeta para cima.
Menores e mais simples do que os automóveis tradicionais, os CityCars foram concebidos apenas para viagens urbanas, que tendem a ser mais curtas, e atingem velocidade máxima de 100 km/h - ou, ainda, em projetos de compartilhamento de carros, como já existe hoje com as bicicletas. Segundo seus designers, sua fabricação apresenta menores custos, já que a maior parte da complexidade mecânica está encapsulada nas unidades das rodas. Quando dobrado, o protótipo ocupa cerca de um terço de uma vaga utilizada por um carro tradicional - fator importante em cidades populosas, como São Paulo, onde os espaços são caros e concorridos. O maior desafio do projeto está ligado à infraestrutura de recarga elétrica dos CityCars. Uma das opções possíveis seria a instalação de fontes de alimentação residenciais ou nos postos de trabalho. A alternativa mais discutida, no entanto, é a recarga em estacionamentos públicos ou privados, que teriam maior capacidade de arcar com os custos de implantação da infraestrutura de abastecimento. O grupo Smart Cities fez um acordo com uma empresa espanhola para a fabricação dos CityCars. A previsão é que, dentro de três a cinco anos, esses veículos já estejam rodando nas ruas europeias.