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Design


Poltrona de balanço Euvira, de Jader Almeida, concilia as formas orgânicas à racionalidade do design escandinavo
Por Nilbberth Silva Fotos Divulgação Sollos Brasil



Em um engarrafamento, Jader Almeida viu o adesivo com o desenho de uma velhinha lendo em uma cadeira de balanço. Foi quando o designer catarinense idealizou sua versão da cadeira: Euvira - uma poltrona de balanço contemporânea que se ajusta à altura e à posição de quem nela se senta.

Jader procurou conciliar as formas orgânicas à racionalidade do design escandinavo para criar sua cadeira de balanço. "Queria abordar a herança dos mestres, mas também olhar para frente", diz. O resultado foi uma peça em que coexistem linhas retas, chanfros e ângulos arredondados - ou "adocicados", como Jader prefere chamá-los. A poltrona é feita por máquinas CNC, que permitem trabalhar com grande precisão.

Quem se reclina no móvel, feito de Imbuia e Tauari, madeiras de média densidade, sente-se tranquilo, seguro e acolhido, como no colo de uma avó. Talvez a referência à memória afetiva contribua. Mas o efeito é, sobretudo, resultado de muita atenção à ergonomia.

A começar pelo ângulo formado entre o assento e o encosto. Para fazer o primeiro desenho técnico do ângulo, Jader pegou duas tábuas unidas por uma dobradiça, apoiou-as na parede e em um calço, e foi se reclinando até que conseguisse uma abertura em que se sentisse confortável. Esse ângulo serviu de base para o desenvolvimento do primeiro protótipo. Depois, testou o modelo com voluntários e fez alterações até chegar ao ângulo ideal: 103º.

Cadeiras de balanço são confortáveis porque se inclinam e distribuem o peso da pessoa por toda a superfície do corpo. E, no caso de Euvira, basta sentar-se e esticar as pernas que a peça chega ao equilíbrio, sem balançar-se.

Isso acontece porque a poltrona é baixinha, deixando o joelho do usuário a 38 cm de altura. Se fosse baseada no Homem Vitruviano, o famoso estudo do corpo humano feito por Leonardo da Vinci, essa altura seria de 45 cm.

Quem senta permanece com o pé no chão, não importando se mede 1,60 m ou 2 m. Consegue controlar a inclinação da poltrona flexionando o joelho em um ângulo confortável e o apoiando o tronco no encosto. O móvel também acompanha o usuário quando ele inclina o corpo para frente.

O esforço necessário para inclinar-se à frente é mínimo. Isso acontece porque o arco dos pés da cadeira teve um cálculo cuidadoso e muitos testes: se o arco tivesse diâmetro muito pequeno, exigiria muita força para estabilizar a cadeira; se fosse grande demais, o móvel não se inclinaria para acolher quem é alto. Jader atingiu o resultado pretendido apenas no quarto protótipo.

O designer também desenhou uma peça capaz de acompanhar as curvas do corpo humano. Para isso, criou a superfície formada pelo assento e encosto em formato côncavo. Obteve a forma enrolando um cordão de náilon de 130 m em três barras horizontais em forma de arco. A trama projeta-se para frente na região em que o assento encontra o encosto. Assim, apoia a base da coluna e a região dos rins. Jader conseguiu o efeito aumentando a largura da barra central.

"O náilon foi escolhido pelo custo-benefício", diz o designer. "É um material muito fácil para a fábrica adquirir e para o dono limpar. Também é resistente e impermeável", acrescenta.

Os arcos das barras e os chanfros permitem que a cadeira não tenha arestas, que tornariam o assento incômodo. Outro cuidado foi criar um apoio de braço adaptado ao formato do antebraço.

Os detalhes da poltrona foram testados em quatro protótipos. Jader pediu que uma dezena de voluntários de diversos biótipos testassem cada um deles. Entrevistava e recebia o relatório: "a parte de trás do joelho está pegando um pouco!"; "falta apoio para o rim". O designer ouvia, media o que estava errado e depois escrevia as críticas no protótipo. As cadeiras ficavam cheias de anotações e fitas crepe. Cada protótipo demorou quarenta dias para ser feito.

"A pessoa cria uma relação afetiva com o produto. Assim, eu procuro criá-lo como um personagem na vida do usuário", conta Jader. Talvez por isso a avó que o designer nunca conheceu, Elvira, tenha inspirado o nome da poltrona. Pequena, larga, fundindo-se com os móveis da sala, a peça convida ao repouso - como uma matriarca arquetípica que vai, volta, balança, vira. Eu-vira.

 

Ficha Técnica
Design
Jader Almeida
Fabricação Sollos Brasil

 
   
 
 
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