Tecnologia aparente O engenheiro Percival Camanho analisa a estrutura da igreja
Vânia Silva com consultoria de Percival Camanho
(coordenador de projetos da Etalp, escritório técnico Arthur Luiz Pitta) As paredes com forma oval, constituídas a partir de dois arcos de circunferência interligados por duas linhas curvas, constituem a vedação e também a estrutura da construção, junto com as quatro colunas internas. Além do planejamento do design, dá para detectar um cuidado especial com a estrutura, acústica e iluminação, além do vencimento de ações sísmicas. Essas disciplinas foram trabalhadas em conjunto para garantir o resultado final da obra.
As aberturas que foram projetadas para criar efeitos de iluminação no interior da igreja, de acordo com a rotação da terra, interferem pouco na rigidez das paredes devido à forma vertical alongada. Se fossem horizontais, poderiam danificar o material, comprometendo a rigidez. O fluxo de tensões das cargas de gravidade teria de fazer um desvio maior para vencer a abertura.
Apesar de utilizar um método construtivo convencional, em concreto armado aparente moldado in loco, possui acabamento superior. O concreto não apresenta imperfeições superficiais e as concordâncias geométricas tiveram execução cuidadosa. As colunas e as paredes interligam-se no topo por meio de vigas, formando quatro pórticos transversais, dois de cada lado, que enrijecem a estrutura. A forma oval das paredes e esse enrijecimento conferem a segurança necessária à construção, que está em local sujeito a abalos sísmicos.
A madeira, que compõe a estrutura de cobertura interna, está dividida em quatro áreas periféricas que se apóiam sobre as paredes e os pórticos. O grande vão longitudinal da área central da nave é vencido por dois arcos atirantados constituídos por perfis de madeira, tirantes em cabos de aço e hastes verticais metálicas, fixadas nos perfis. Servem para desviar as cargas para os cabos de aço. Esses arcos suportam a cobertura e o forro acústico de madeira.